Um dispositivo eletrónico para proteger o apicultor e as suas abelhas durante o maneio das colmeias venceu o concurso nacional Poliempreende, cujos prémios vão ser entregues na quinta-feira, em Leiria.

Trata-se de um instrumento inovador, concebido por uma equipa do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), coordenada pela professora Cristina Faustino Agreira, em colaboração com a Cooperativa Lousamel, que reúne produtores de mel com denominação de origem protegida (DOP) da Serra da Lousã.

“Não existe ainda nada nesta área”, disse hoje à agência Lusa Cristina Agreira, que teve a ideia de avançar com o projeto “BeeAway”, em que participaram o aluno do ISEC Rafael Filipe Mendes, finalista da licenciatura em Engenharia Eletromecânica, e a diretora executiva da Lousamel, Ana Paula Sançana.

A equipa do Departamento de Engenharia Eletrotécnica do ISEC, em representação do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), vai receber o primeiro prémio daquele concurso nacional, durante o 2.º Congresso do Poliempreende, na quinta-feira, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria, informou hoje o IPC em comunicado.

Sem revelar para já detalhes do projeto, por estar ainda em curso o processo de registo da patente, Cristina Agreira disse que se trata de “uma caixinha quadrada que associa a tecnologia à apicultura” e que mede sete centímetros de largura por cinco de altura, concebida para uso dos produtores durante o maneio de enxames e colmeias.

Por sua vez, Ana Paula Sançana, diplomada pela Escola Superior Agrária de Coimbra, que integra também o IPC, disse à Lusa que o dispositivo, já testado em apiários, serve para “aclamar as abelhas e garantir alguma segurança no maneio”.

Permite assim “evitar a morte das abelhas”, com vantagens ambientais, substituindo o uso do fumigador, utensílio a que os apicultores recorrem para lançar fumo e repelir estes insetos durante a cresta, como é designada a extração de mel das colmeias.

Para prevenir os incêndios florestais, o uso do fumigador é proibido durante os meses de verão, “precisamente quando ele é mais necessário”, observou Ana Paula Sançana.

Os inventores pretendem que o “BeeAway” venha a ser comercializado em Portugal e noutros países com potencialidades no setor apícola, afirmou Cristina Agreira.

O Poliempreende é um concurso de projetos de vocação empresarial que envolve as instituições politécnicas do país, escolas superiores não integradas e escolas politécnicas das universidades, num total de 21 parceiros, mais de 100 mil estudantes e 7.000 docentes.