A Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS) arquivou os inquéritos às oito mortes de doentes registadas nas urgências hospitalares no último inverno, avança o Público. Apesar das longas horas de espera que os doentes enfrentaram para serem atendidos, alguns sem sucesso, ou demasiado tarde, não é possível atribuir responsabilidades aos profissionais de saúde envolvidos.

A situação nas urgências hospitalares agravou-se no final de dezembro de 2014 e início de 2015, com o pico da gripe e da vaga de frio que levou muitos doentes a procurarem esses serviços. O tempo de espera foi a principal queixa, sendo que na altura também se apontaram a falta de recursos humanos e de camas nos hospitais públicos como as principais razões que estariam na origem das dificuldades então vividas. As mortes objeto do inquérito da IGAS foram registadas nas urgências dos hospitais de S. José, Santa Maria da Feira, Setúbal, Peniche, Santarém, Aveiro e Garcia de Orta.

Segundo o Público, a IGAS argumenta que não é possível imputar “a violação de deveres funcionais aos profissionais de saúde envolvidos na assistência médica aos doentes em causa”, revelando que apenas comprovou “factos circunstanciais relacionados com a gestão dos tempos das triagens e do atendimento de doentes”.

O inquérito à morte de um idoso na urgência do hospital de S. José, em dezembro, foi arquivado pelo Ministério Público em maio. O idoso, com 80 anos, dirigiu-se à urgência na sequência de um AVC e teve de esperar mais de seis horas para ser atendido, tendo sido depois encontrado morto, pelo filho. Das oito mortes, o Ministério Público investigou três por sua própria iniciativa, conta o Público. Em janeiro, também uma mulher de 79 anos procurou a urgência de Peniche, onde naquela altura não era possível realizar uma TAC e as análises. Morreria antes de ser transportada para o hospital de Caldas da Rainha, onde iria realizar os exames médicos necessários.

A generalidade das mortes aconteceu enquanto os doentes se encontravam a aguardar por um primeiro diagnóstico ou durante a espera para a realização de exames. A Inspeção Geral considera que é possível resolver situações deste tipo pela via administrativa, através de ajustamentos e alterações que permitam uma melhor gestão das escalas de profissionais de saúde de forma a dar uma maior atenção ao doente.

Segundo o Público, o Tribunal de Contas, depois de uma auditoria à urgência hospitalar do Amadora-Sinta, esclareceu ainda que é necessário que “os utentes sejam atendidos em qualquer serviço de urgência do SNS, independentemente da sua área de residência”, relembrando a necessidade de reorganização dos recursos humanos existentes.