Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

António Costa e Catarina Martins saíram da reunião desta manhã na sede do Bloco de Esquerda com o discurso no mesmo sentido, mas um vai mais à frente que o outro. O líder socialista diz que houve entendimentos em relação a algumas matérias onde há “convergência”, mas que é “prematuro” falar num Governo à esquerda. Contudo, acrescentou: “É seguro dizer que há condições para que esse acordo possa ser possível”. Já a porta-voz do BE começou logo por dizer: “O Governo e Passos Coelho e Paulo Portas acabou hoje”. Como? Com viabilização de orçamentos de um Governo PS? Com o BE no Governo? Isso logo se vê, depois das reuniões técnicas, para já falaram da “solução política”, disse. Mas um dos maiores entraves a um acordo entre BE e PS caiu hoje: o BE admite deixar cair a ideia de renegociação da dívida.

Se a reunião com o PCP foi “bastante construtiva”, a reunião com o BE foi “muito interessante”. Adjetivos à parte, António Costa saiu esta segunda-feira da sede do Bloco de Esquerda a dizer que “é prematuro dizer que esse acordo é possível. É seguro dizer que há condições para que esse acordo possa ser possível”. Para que isso aconteça, o secretário-geral do PS diz que é preciso trabalhar nas matérias de “convergência” para “termos uma solução que o país possa ter um Governo, estável, que corresponda à vontade de alteração da política”, disse.

Seguem-se mais reuniões sobre matérias para que seja possível um “um entendimento sólido, estável”, disse aos jornalistas. “Ficou assente que iríamos desenvolver um conjunto de trabalho técnico para concretizar estes pontos e limar divergências e assim reduzir esse grau de divergências e alargar a base de sustentação de uma solução governativa estável”, avançou.

No final da reunião, António Costa manteve mais ou menos o registo das últimas conversas, sobretudo o que foi disse depois da reunião com o PCP e deixou a garantia que só depois das conversas irá decidir o que fazer e perguntar ao partido o que querem fazer.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

“Os contactos com o PCP, PEV e BE [mostraram que é possível] criar condições para podermos avaliar se existe ou não um governo alternativo”, respondeu aos jornalistas, dizendo no entanto que as duas primeiras conversas foram muito positivas e esta “muito interessante”, mas foram todas “responsáveis” .

Apoiar Governo à direita ou fazer à esquerda?

Costa sabe que a opinião pública já fala de um governo à esquerda, mas ainda não sabe o que dirá o Presidente da República que irá encontrar esta tarde, por isso, aos jornalistas voltou a frisar que “o PSD é o partido com maior representação” e por isso “cabe-lhe o ónus de criar condições de governabilidade”. Contudo, acrescentou, cabe-lhes “procurar condições” e “até agora não estão criadas essas condições”. Aos jornalistas adiantou que ainda não recebeu qualquer proposta da coligação PSD/CDS o que deverá acontecer esta tarde. PS, PSD e CDS têm nova reunião agendada para amanhã, ainda sem hora marcada.

Questionado pelos jornalistas se o PS se inclina mais para uma solução de esquerda ou de direita e como irá o PS avaliar essa decisão, o secretário-geral do PS não pôs de parte a realização de um referendo interno, remetendo para a direção alargada do partido. “É prematuro falar da forma como se revestirá a tomada de posição do PS – o que é seguro dizer é que assim que esteja concluído o meu mandato de proceder aos contactos com todas as forças políticas e do trabalho complementar que se afigura necessário e eu poder fazer uma avaliação de quais são as melhores soluções para assegurar a um governo estável que garanta a mudança de políticas que os portugueses votaram nas urnas, transmiti-lo-ei à Comissão Política do PS que avaliará e se pronunciará se haverá outras formas de validar a decisão”.

BE: “O Governo de Passos-Portas acabou hoje”

Catarina Martins afirma que, com a votação que teve dia 4, o BE tornou-se “imprescindível” para um futuro Governo “O BE assumirá todas as responsabilidades que terá que assumir”, afirmou a coordenadora do BE, Catarina Martins. “Estão criadas as condições de consenso básico para a viabilização de um Governo de esquerda e que vão ao encontro das três condições enunciadas na campanha”, disse.

Segundo o BE, “o Governo de Passos-Portas acabou hoje porque não terá apoio no Parlamento e porque há outra solução de Governo” que irá permitir “proteger o emprego, salários e pensões”. O partido deixou ainda cair a proposta de renegociação da dívida porque “não teve os votos suficientes para formar governo”. “Ainda bem que PS ouviu o que disse o BE. Disse desde o início que cá estaríamos”.

Falando em “condições estáveis” para um programa de governo, Catarina Martins não fechou a porta ao BE ir para o Governo, sublinhando que se está perante negociação de posições políticas e não de lugares. A reunião não se deteve apenas na viabilização do Governo liderado pelo PS depois de a esquerda se unir para rejeitar o programa do Executivo PSD/CDS: a coordenadora do Bloco revelou que começaram a discutir o Orçamento do Estado para 2016. “Discutimos as políticas económicas-base”, explicou.

Ficaram marcadas mais reuniões entre PS e BE esta semana.