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Créditos: Cardiff University/ Cambridge University

Há um bebé nesta imagem. E se o conseguiu ver, talvez esteja mais predisposto a sofrer de psicoses do que a maior parte das pessoas. É isto o que a Universidade de Cambridge e a Universidade de Cardiff sugerem num estudo onde escrevem que quem tem maior capacidade de preencher campos vazios pode ter mais tendência para ter alucinações e outras reações semelhantes.

A percepção deste tipo de imagens (não imediatas) resulta da combinação da informação sensorial que nos chega da análise “de baixo para cima” e “de cima para baixo” – ambas influenciadas pelo conhecimento que obtivemos em experiências anteriores.

Os cientistas estudaram uma amostra de 34 indivíduos para chegar a estes resultados e dividiram o estudo em duas partes, com o objetivo de entender como é que as imagens são percepcionadas por estas pessoas: a primeira analisava o equilíbrio das duas informações sensoriais em pessoas com episódios de psicose, enquanto a segunda se centrou em pessoas aparentemente saudáveis. Todos tinham de analisar a imagem em negativo de um bebé.

No primeiro caso, descobriu-se que “houve mudanças no processamento de informação, favorecendo o conhecimento adquirido anteriormente” em vez de apenas se centrar nas entradas sensoriais em tempo real. Isto significa que as pessoas mentalmente doentes tiveram maior facilidade em encontrar o bebé na imagem, enquanto o segundo grupo só identificou o bebé depois de ser contextualizado com a imagem original.

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Créditos: Cardiff University/ Cambridge University

No entanto, o segundo estudo permitiu aos cientistas afirmar que “o grau de propensão à psicose em indivíduos saudáveis e a presença de alterações subtis na percepção estão associadas com à maior utilização do conhecimento prévio”. Na prática, isto pode significar que os indivíduos saudáveis que conseguiram identificar o bebé sem recurso à imagem original têm maior propensão ao desenvolvimento de doenças psicóticas.

Mas nem tudo é assustador: se identificou o bebé com facilidade, então isso pode dever-se a algo muito mais simples. Apenas ao facto de ter uma imaginação mais fértil do que a maior parte das pessoas. Ainda assim, os cientistas alertam que este estudo não é conclusivo e que seriam necessários novos testes para descobrir se realmente há uma relação entre as psicoses e a capacidade de abstração.