Um estudo publicado na quarta-feira concluiu que é possível atrasar o surgimento de efeitos de demência por 13 anos. Através da análise de uma amostra que envolveu 12.409 indivíduos, com uma idade média de 56 anos, sem sintomas de demência, os cientistas concluíram que pessoas entre os 48 e os 68 anos que não tenham hipertensão, diabetes ou que não fumem, podem viver mais 13 anos da sua vida sem apresentar sintomas de declínio cognitivo.

“Focamo-nos na hipertensão, diabetes e tabagismo porque foram medidos de forma consistente no estudo ARIC [Risco de Aterosclerose nas Comunidades], são importantes fatores de risco modificáveis tanto da demência como da mortalidade, e demonstraram forças de associação comparáveis com a sobrevivência livre de demência“, refere o estudo.

Os cientistas analisaram dados do estudo ARIC, que começou a ser publicado em 1986, e acompanharam pessoas desde 1987 até 1 de novembro de 2022. Durante esse período, 3.008 pessoas desenvolveram demência e 5.238 morreram. Os que não tinham hipertensão, diabetes ou que não fumassem, entre os 48 e os 68 anos, viveram mais 30,1 anos sem demência. Quem padecia de um dos fatores de risco vivia 26,3 anos sem demência e quem apresentasse os três vivia apenas 17,5 anos extra sem apresentar sintomas.

O estudo representa descobertas novas na área da saúde vascular na meia-idade, pois, apesar de pesquisas anteriores demonstrarem um “aumento do risco de demência com fatores de risco vasculares individuais na meia-idade”, como hipertensão, diabetes e tabagismo, “poucos examinaram o perfil de risco vascular combinado para estimar o risco absoluto ao longo da vida“.

“Os nossos resultados indicam que as pessoas precisam de evitar ativamente estes fatores na meia-idade como estratégia para preservar a saúde cerebral por mais uma década”, afirmou Josef Coresh, investigador sénior do estudo e diretor do Optimal Aging Institute, que espera que a investigação leve as pessoas a fiscalizarem a sua saúde vascular a partir dos 48 anos.

De acordo com dados de 2021 da Organização Mundial da Saúde, 57 milhões de pessoas sofrem de demência em todo o mundo, com dez milhões de novos casos todos os anos. Nos Estados Unidos, mais de sete milhões de pessoas sofrem de demência, segundo a Alzheimer Association.