O Ministério Público defende que existiram vários alegados esquemas que permitiram a José Sócrates receber dinheiro de Carlos Santos Silva. A primeira forma detetada baseou-se na utilização das contas bancárias de João Perna, motorista do ex-primeiro-ministro. Perna recebia cheques ou dinheiro vivo de Carlos Santo Silva, depositava-os na sua conta e dava uma de duas utilizações:

  • ou pagava diretamente as despesas de Sócrates e dos seus familiares a partir desses fundos  
  • ou entregava dinheiro vivo ao ex-primeiro ministro

Com esses fundos de Santos Silva, João Perna tanto pagou despesas em agências de viagens relacionadas com férias de Sócrates, como suportou as despesas relacionadas com o falecimento do irmão de Sócrates ou o condomínio do Heron Castillo (prédio no centro de Lisboa onde o ex-primeiro-ministro morava).

Veja o circuito do dinheiro na infografia seguinte.

(Nota: cada bloco de infografias tem quatro ou cinco imagens. Clique nas setas para avançar ou recuar as imagens e recorra à legenda para interpretar corretamente a forma como o dinheiro circulava)

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Sócrates também transferia valores

José Sócrates também chegou a depositar somas avultadas nas contas de João Perna, de forma a que este pagasse as suas despesas. O objetivo, segundo o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), passava por não deixar rasto sobre a origem do dinheiro.

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Perna paga roupa de Sócrates

João Perna pagava um conjunto muito variado de despesas pessoais do ex-primeiro-ministro. Além das muitas viagens que José Sócrates efetuava, o motorista terá pago igualmente montantes muito avultados de roupa masculina. Outra suspeita relaciona-se com levantamento de dinheiro em notas que, segundo a investigação do DCIAP, era entregue a Sócrates.

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Carro, secretária e dentista

Maria João, secretária de José Sócrates que chegou a trabalhar igualmente na Octapharma, foi igualmente paga em numerário que lhe terá sido entregue por João Perna. As despesas de manutenção do automóvel, assim com a conta do dentista também foram pagas pelo motorista com base em fundos que tinham origem em Santos Silva.

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Total: 118 mil euros

Em três anos apenas, Carlos Santos Silva terá transferido um total de cerca de 118 mil euros para as contas bancárias de João Perna – que, por seu lado, declarou mensalmente ao Fisco pouco mais do que o salário mínimo nacional. Desse montante total, cerca de 87,5 mil euros foram transferidos em cheque e cerca de 31 mil euros em dinheiro vivo. 

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