Vândalo não destrutivo. É assim que Rich McCor se descreve na sua página de Instagram, onde surge como o utilizador @paperboyo. O nome conta só metade da história: é um artista britânico de 28 anos que trabalha com papel. Quanto ao resto, contamo-la nós. Mas deixamos-lhe já uma curiosidade: tudo começa em Portugal.
Foi enquanto Rich McCor passeava em Lisboa que encontrou no papel uma forma diferente de trabalhar as suas fotografias. No entanto, não foi à beira Tejo que o inglês usou os seus recortes em interação com monumentos que agora o tornam conhecido: “A ideia de transformar os edifícios surgiu quando voltei para Londres e comecei a pensar sobre como podia fotografar a cidade de forma diferente”, explica Rich ao Observador. Imagens da capital inglesa não faltam. O que faltava era alguém que criasse uma visão diferente da cidade.
E que melhor sítio para começar esse projeto senão no Big Ben? Andou de um lado para o outro na Ponte Westminster em busca do sítio certo com a profundidade desejada. Depois carregou no botão da máquina e foi abordado por um pai que passeava com a filha. Estavam intrigados com aquela agitação toda e perguntaram-lhe o que estava a fazer. “Mostrei-lhes a foto, os dois sorriram e eu soube que devia fazer mais”, conta Rich.
Nunca perde demasiado tempo a pensar no próximo passo porque “isso retiraria a diversão da coisa”. Às vezes tem uma ideia de imediato, outras tem de “deixar o subconsciente brincar”. Reflete, ainda assim, sobre os sítios que vai visitar porque produz os recortes em casa. Um dos que mais esforço exigiu foi a imagem que interagia com a Ópera de Amesterdão: quando colocou os auriculares para trabalhar, nunca pensou que demoraria uma hora a recortar uma pauta musical. Até porque o processo de relacionar o recorte com a paisagem não costuma demorar mais que quinze minutos.
Mas este não foi o trabalho favorito de Rich McCor: o que mais gosto lhe deu a produzir foi feito em Copenhaga, quando recortou um OVNI e o colocou por cima do Cirkelbroen. “Tive a ideia assim que vi os círculos da ponte, e apesar do corte ser simples o resultado final parece-me muito bom. Sorri para mim mesmo quando vi a fotografia a sair”, conta o artista.
Mas não se fica por aqui: agora segue-se Dublin. E vai continuar em busca de interações com algumas das paisagens e monumentos mais famosos do mundo, como Nova Iorque, Rio de Janeiro ou Sidney. “As paisagens icónicas são as que mais gosto, porque são mais familiares para as pessoas”, justifica.
Conheça o trabalho de Rich McCor na fotogaleria e leia algumas das curiosidades que o artista dá a conhecer nas legendas das imagem. E depois procure-o nas redes sociais.