Um novo suspeito, pormenores sobre o terrorista em fuga e a confirmação de que o cabecilha dos atentados de Paris esteve nos locais dos ataques. Estas foram as novidades dadas esta terça-feira pelo Procurador francês responsável pela investigação, François Molins, na conferência de imprensa onde deu a conhecer os mais recentes avanços da investigação. 

O novo suspeito é um indivíduo belga-marroquino, Mohamed Abrini, procurado pelas autoridades belgas e francesas. A polícia belga emitiu um mandato de captura sobre este homem, que foi visto a conduzir o Clio preto com Abdeslam Salah ao lado, dois dias antes dos ataques em Paris. No entanto, não há, até ao momento, qualquer relação direta com os atentados, apenas a ajuda dada a Abdeslam.

mandato captura ABRINI

Captura de ecrã do mandato de captura de Mohamed Abrini/ Police Fédérale

Abdeslam Salah, nascido na Bélgica mas de nacionalidade francesa é o suspeito dos atentados que ainda se encontra em fuga, sendo neste momento o homem mais procurado da Europa. Esta terça-feira, as autoridades alemãs admitiram a possibilidade de se encontrar no norte da Alemanha. As autoridades francesas já conseguiram reconstituir alguns dos passos de Abdeslam: sabem que comprou um cartão de telemóvel no 13º bairro parisiense, na sexta-feira 13 novembro às 22h30 (quando já estavam a decorrer os atentados), e de seguida ligou a duas pessoas, na Bélgica, para que o fossem buscar.

Outra novidade. Através da análise dos parâmetros de geolocalização do telemóvel de outro terrorista, Abdelhamid Abaaoud, o alegado cabecilha dos atentados que morreu no assalto da polícia a um apartamento em Saint-Denis, os investigadores concluíram também que Abaaoud esteve no local dos atentados. Mais, sabem que voltou a essa zona das esplanadas já numa fase avançada dos ataques (tinham decorrido as explosões no Stade de France e os tiroteios nas esplanadas, bem como na sala de espetáculos), quando a polícia tomava de assalto o local. Segundo dados do seu telefone, Abdelhamid Abaaoud andou pelos 12º, 10º, 9º e 11º arrondissements, ou seja, voltou “à cena do crime”, aos locais dos atentados nos quais não se sabe até que ponto participou efetivamente.

O que se sabe é que sabe é que saiu ileso da noite de sexta-feira, 13, e planeava novos ataques para menos de uma semana depois. O procurador confirmou que Abaaoud e o terrorista que se fez explodir no ataque ao edifício em Saint-Denis, e que ainda não foi identificado, tinham planos para novos ataques na quarta-feira 18 ou quinta-feira 19, em La Defense, a zona empresarial e económica de Paris: foram encontrados dois coletes de explosivos e uma arma automática no apartamento. O procurador confirmou também que os terroristas lançaram granadas a partir do apartamento.

Quanto ao ADN encontrado em vários objetos encontrados no carro (Seat) usado pelo grupo que atacou as esplanadas, nomeadamente uma das kalashiknov utilizadas, e ainda não identificado, pode pertencer ao terrorista que se suicidou no apartamento em Saint-Denis. A confirmar-se, seria ele um dos homens não identificado desses ataques. 

François Molins confirmou ainda o envolvimento de Hasna Aït Boulahcen, prima de Abdelhamid Abaaoud, na procura de uma casa segura para os terroristas. Hasna terá sido contactada a 15 de novembro, a partir da Bélgica, para lhes encontrar alojamento. Ela “estava plenamente consciente do envolvimento do primo nos ataques de 13 de novembro e assim foi de forma consciente que participou na organização” para arranjar o esconderijo do primo, refere o Libération, citando Mollins. Hasna foi a terceira terrorista encontrada morta no apartamento de Saint-Denis (erradamente, no início, chegou a dizer-se que tinha sido ela a fazer-se explodir acionando o cinto de explosivos).

O procurador anunciou também a prisão preventiva de Jawad Bendaoud, o homem que também colocou à disposição dos terroristas em troca de dinheiro uma casa que ocupava ilegalmente.”Pensamos que ele não pode ter dúvidas de que estava a tomar parte, com conhecimento de causa, de um ato terrorista,” disse Molins. Jawad esteve envolvido, antes e depois dos atentados, em vários contactos telefónicos que envolvem a Bélgica acrescentou.

François Mollins reforçou o empenho das autoridades francesas em prosseguirem a investigação de forma célere e frisou que estão seis magistrados encarregados da investigação e foram instaurados 5339 processos em 11 dias.