O trajeto e as pisadas do único terrorista dos atentados de Paris do último dia 13 de novembro ainda a monte está baralhar e intrigar as autoridades responsáveis pela investigação aos ataques que vitimaram 130 pessoas.

Em primeiro lugar Salah Abdeslam, nascido na Bélgica mas de nacionalidade francesa, tem 1,75 metros e 26 anos de idade. Há cerca de um ano Abdeslam terá viajado para a Síria para se juntar à causa do Estado Islâmico e agora é o homem mais procurado do mundo. Mas nunca foi apontado como membro de qualquer grupo radical e terrorista islâmico – como o El Mundo explicou, acrescentando apenas que chegou a ser identificado pelas autoridades belgas, depois de ter feito caminho para o Médio Oriente, por uma eventual ligação à ação terrorista. 

Em setembro, Salah Abdeslam terá também viajado para a Áustria pela Alemanha, mas nunca se soube as razões dessa viagem. Este homem é irmão de Ibrahim Abdeslam, que se fez explodir num dos locais dos ataques de Paris.

Um dia antes dos atentados, ou seja dia 12 de novembro, Salah foi filmado por uma câmara de segurança numa rua do bairro 10 da capital francesa, onde se localizam o bar LeCarrilon e o restaurante LePetit Cambodge. O alegado terrorista reparou que estava a ser filmado e fez um leve sorriso para a câmara, em jeito de desafio:

Por onde andou, durante e depois dos ataques de Paris?

Depois de identificados, as autoridades concentraram-se em encontrar os envolvidos nos atentados da capital de França. E foram todos encontrados – menos Salah Abdeslam. E o trajeto efetuado pelo cidadão francês durante e depois dos ataques está a criar confusão e mistério. É que muitas das pistas deixadas simplesmente não parecem fazer sentido.

O envolvimento de Salah terá começado (no que as autoridades conhecem) ao volante de um Renault Clio preto. Na noite fatídica de 13 de novembro terá deixado os três bombistas suicidas junto ao Stade de France. De seguida terá conduzido durante 5 km para sul. E as autoridades suspeitam que terá sido nesta altura que o seu irmão se fez explodir no café Comptoir Voltaire.

Na passada terça-feira o carro foi encontrado abandonado na Praça Albert Kahn, no bairro parisiense número 18. Aqui começa o mistério em que se envolve a fuga e o caminho percorrido pelo homem mais procurado do mundo neste momento. Ao que tudo indica, e a avaliar pela maneira como o Clio foi largado numa passadeira, Abdeslam abandonou a viatura à pressa. Mas porquê? A polícia ainda não conseguiu responder a esta questão. Há três possibilidades em aberto: ou Salah iria protagonizar outro ataque noutro local; ou ia juntar-se aos três homens que, entretanto, já tinham entrado no Bataclan; ou ia regressar a Bruxelas, onde vivia, para planear mais atentados.

Passadas algumas horas, o radicalista terá, presumivelmente, ligado a conhecidos em Bruxelas a pedir que o fossem buscar. O marroquino Mohammed Amri, de 27 anos, e Hamza Attou, de 21, foram para Paris e apanharam Abdeslam no distrito de Barbes, perto do local onde tinha abandonado o carro anteriormente. E deu-se início à fuga do terrorista que ainda não terminou, passados 9 dias.

O carro onde seguiam os três homens até foi mandado parar pelas autoridades policiais junto à fronteira com a Bélgica e foram revistos os seus documentos. O problema é que, nessa altura, ainda não tinham sido identificados todos os envolvidos nos atentados. E, por isso, a viatura foi autorizada a seguir viagem.

Amid e Attou chegaram, mais tarde, a ser detidos e acusados de “cumplicidade em ataques terroristas e participação em atividades de organizações terroristas”, como diz a CNN. Mas Abdeslam já tinha desaparecido.

O mistério adensou-se com a comunicação que o Estado Islâmico fez no dia a seguir aos ataques. No comunicado, os jihadistas fizeram referência a “oito irmãos” e homenagearam a sua operação nos bairros número 10, 11 e 18 da cidade de Paris. O problema é que, segundo a polícia, foram sete os envolvidos ativamente nos ataques, e não houve qualquer atuação terrorista no bairro número 18. Local este onde foi encontrado o carro que terá sido conduzido por Salah.

Esta situação adensa uma outra teoria que começa agora a ganhar forma. A de que Abdeslam estará não só a fugir das autoridades policiais mas também do próprio Estado Islâmico. Segundo dá conta o Huffington Post, a polícia acredita que o fugitivo pode estar a temer represálias da organização jihadista por “supostamente ter recuado no momento dos ataques” e por se ter arrependido do seu papel nos mesmos. Isto pode também ajudar a compreender o forma como decorreu a fuga do homem de 26 anos. Todos os sinais apontam para que Salah tivesse entrado “em estado de pânico”.

Um dos irmãos do suspeito a monte, Mohammed Abdeslam, veio também a público, numa entrevista a uma televisão belga, onde apelou ao suspeito em fuga que se entregue à polícia afirmando que “prefiro o meu irmão preso a morto”. Isto antes de afirmar que acredita que o seu irmão foi “manipulado” e que este desistiu do plano no último minuto: “Salah é muito inteligente. No último momento ele decidiu recuar. Ele viu alguma coisa que não correspondia ao que esperava e recuou. Eu relembro que, neste momento, não sabemos se ele matou alguém, ou se estava de facto no local (dos atentados)”.

Neste momento Bruxelas encontra-se no nível máximo de alerta. As ruas estão desertas e as operações polícias sucedem-se. Apesar de tudo ainda não há sinal de Salah Abdeslam.