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O Partido Comunista está “disponível” para analisar o Orçamento do Estado (OE) e “encontrar uma solução” de convergência para o aprovar, disse Jerónimo de Sousa em entrevista ao jornal Expresso. Para o líder comunista, o programa do Governo que tomou posse na passada quinta-feira, “não representa uma linha de rutura”. Por isso, “votaremos contra qualquer moção de rejeição da direita ao programa do PS.”

Apesar da disponibilidade manifestada em relação à discussão e aprovação do OE, o líder comunista considerou também que “é muito importante que as coisas não fiquem apenas no papel” e “não abdicamos de ter posicionamento críticos em relação a algumas questões de fundo.” Críticas que estendeu ao outro parceiro das negociações com o PS, o Bloco, partido do qual “desconhece a ideologia” e que se “colocou de ‘dedo no ar'”, no processo negocial.

Em relação a como foi obtido o acordo com o PS, que Jerónimo de Sousa prefere denominar como “uma posição comum”, reforçou que não houve entendimento pré-eleitoral com o PS. “Não tivemos contactos antes (de 6 de outubro),” relembrando que a decisão começou a ser equacionada pelo Comité Central no rescaldo da noite eleitoral. E será também o Comité Central a decidir se Jerónimo de Sousa se mantém na liderança dos comunistas.

“Não vejo razões para antecipar o congresso,” observou o secretário-geral do PCP e anulando a especulação levantada sobre o cansaço que apresentou durante a campanha eleitoral, garantiu que”não há problema nenhum de saúde.” A data ainda não está fechada, mas o congresso deverá acontecer em dezembro de 2016. Ou seja, o partido tem um ano pela frente para discutir a liderança, caso assim o entenda.

“Pode haver alteração de responsabilidades, mas continuarei sempre a ser comunista,” frisou o líder do PCP.

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