António Sampaio da Nóvoa, candidato presidencial, diz em entrevista à TVI que a responsabilidade de casos como os da morte no Hospital São José “tem de ser atribuída ao governo anterior, por [ter culpa] de grande parte daquilo que foi a degradação do Serviço Nacional de Saúde”. Sem referir inicialmente o nome, critica Marcelo Rebelo de Sousa por, diz Sampaio da Nóvoa, não ter defendido o Estado Social nos comentários que fazia na TVI. Por estas e por outras, o candidato presidencial diz que “as eleições vão ser disputadíssimas”.

Sampaio da Nóvoa diz que há muitos anos defende o Estado Social e, ao longo desses mesmos anos, “muita gente não levantou a sua voz, não denunciou estes casos”. “Agora é fácil ter atos e gestos de solidariedade depois de não ter lutado na altura devida”, afirma Sampaio da Nóvoa à TVI. E quem era essa “muita gente”? “Nomeadamente candidatos presidenciais e até mesmo aqui [na TVI] gente que, comentário após comentário, afirmou que não havia alternativas”.

O ex-reitor da Universidade de Lisboa diz que, “como tudo na vida, há os culpados diretos e os culpados pelo silêncio, por não terem levantado a sua voz”. O candidato presidencial refere o nome de Marcelo Rebelo de Sousa quando diz que é “o candidato recomendado por Passos Coelho e Paulo Portas” mas que, ultimamente, “tem andado a jogar ao esconde-esconde“.

Ainda que reconheça que seja “muito difícil para alguém que vem da independência construir uma candidatura presidencial”, Sampaio da Nóvoa diz que “pelo país inteiro” está a ver uma “mobilização de pessoas, independentes, dos partidos”. Por outro lado, Sampaio da Nóvoa diz que sente que “um conjunto de interesses de diversa ordem” está contra a sua candidatura porque esta é feita contra interesses instalados. A candidatura “provoca algumas reações e mal-estar, mas é quando isso acontece” que Sampaio da Nóvoa sente que está “no caminho certo”.

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Daí que acredite que será uma “eleição disputadíssima”. “Quando uma pessoa tem 40 anos de vida política e aparece a dizer que ouve melhor pelo ouvido esquerdo do que pelo ouvido direito, alguma coisa não está bem, alguma coisa não é para ser levada a sério”, diz Sampaio da Nóvoa, numa crítica a Marcelo Rebelo de Sousa.

Já Maria de Belém tem uma candidatura que “tem tido muita dificuldade em adaptar-se a este novo tempo político”, diz Sampaio da Nóvoa, apesar da “muita simpatia pessoal” que sente pela antiga ministra da Saúde. “Numa segunda volta, à qual eu estou muito convencido que irei, [se não for] apelarei ao voto de um candidato da esquerda, seja Edgar Silva, seja Maria de Belém”. O que nunca faria era “votar no candidato apoiado por Paulo Portas”.