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O conselho político da Candidatura de União Popular (CUP, de esquerda anticapitalista) anunciou, na tarde deste domingo, a decisão final de não apoiar a investidura de Artur Mas como presidente do Parlamento da Catalunha.

Segundo o La Vanguardia, houve 36 votos contra o apoio a Mas, 30 a favor e uma abstenção.

Mais participada foi a votação do fim de semana anterior, em que uma assembleia com mais de três mil militantes da CUP foi convocada para que o partido liderado por Antonio Baños tomasse uma decisão. No final do dia e após várias votações, aconteceu algo que demonstrou o quão fraturante, e também imprevisível, esta questão pode ser: 1.515 militantes votaram a favor da investidura de Mas e outros 1.515 votaram contra.

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Perante o impasse, o conselho político da CUP reuniu-se este domingo, colocando um ponto final sobre a questão e empurrando a Catalunha para novas eleições.

Artur Mas venceu as eleições de 2010 e dessa vez conseguiu formar governo. Agora será obrigado a convocar novas eleições. (JOSEP LAGO/AFP/Getty Images)

Artur Mas venceu as eleições de 2010 e dessa vez conseguiu formar governo. Agora será obrigado a convocar novas eleições. (JOSEP LAGO/AFP/Getty Images)

Esta era última hipótese para Mas (centro-direita, que liderou a coligação de vários quadrantes políticos independentistas Junts Pel Sí) ser reconduzido ao cargo mais alto da democracia daquela região espanhola. Segue-se agora um processo meramente formal, em que terá de chegar o dia 10 de janeiro, a data limite para haver um líder do governo regional depois das eleições.

A Catalunha foi a votos a 27 de setembro de 2015 e o Junts Pel Sí venceu com 39,6% dos votos — resultando em 62 assentos parlamentares, aquém dos 68 necessários para uma maioria na Catalunha. O único partido independentista que sobrara era a CUP, que com 8,2% dos votos e dez deputados seria essencial para viabilizar um governo liderado por Mas.

Antes de tomar esta decisão final, a CUP tinha uma lista de exigências ao Junts Pel Sí, onde se incluía a suspensão de projetos de construção controversos como o complexo de casinos BCN World e a adoção de um “plano de choque” social de 3 mil milhões de euros. Do lado da coligação liderada por Mas, a contraproposta foi francamente mais baixa, fixando-se nos 270 milhões de euros.