Um quarto minguante, a Lua no ponto mais afastado da Terra, a Terra no ponto mais próximo do Sol, uma chuva de meteoros e um cometa a cruzar o céu. Assim, começou o ano de 2016. E de que forma é que isso pode influenciar a nossa vida? De nenhuma. A não ser que queira passar as próximas noites ao frio e à chuva só para conseguir observar o céu.

De onde vêm as Quadrânticas?

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O radiante da chuva (ponto de onde parece sair) é próximo da constelação da Ursa Maior, entre as constelações do Dragão e do Boieiro, numa zona onde no passado se encontrava uma constelação já extinta – Quadrans Muralis.

Esta constelação foi criada em 1795 pelo astrónomo Jérôme Lalande, mas foi abandonada pela Associação Internacional de Astronomia e agora faz parte da constelação do Boieiro.

OAL

O ano entrou com uma das “das melhores chuvas de meteoros no hemisfério norte”, escreveu o Observatório Astronómico da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (OAL) no site. As Quadrânticas podem ter uma atividade máxima de 120 meteoros por hora, mas são pouco conhecidas porque têm um período de atividade muito curto: começaram a 28 de dezembro, tiveram o pico no dia 4 de janeiro e terminam no dia 12. A chuva de meteoros só termina depois da Lua nova, mas a noite que se prevê escura será também chuvosa e má para observar tanto as Quadrânticas como o cometa Catalina.

Fases-da-Lua---janeiro2016

O cometa C/2013 US10, também conhecido por Catalina, já anda a correr o céu noturno do hemisfério norte desde novembro, deixando um rasto verde por onde passa. Este mês, estará tão brilhante que quase poderá ser visto a olho nu, mas, à semelhança do que foi sugerido em dezembro, a observação será mais fácil se usar uns binóculos. Esta é a oportunidade de se estudar o cometa descoberto a 31 de outubro de 2013 pelo Catalina Sky Survey, porque poderá nunca mais voltar a passar pela Terra.

“O cometa aparecerá no horizonte nordeste de madrugada pelas 3 horas na constelação do Boieiro, deslocando-se no final do mês para a constelação da Girafa perto da constelação da ursa menor, onde será visível cada vez mais cedo ao crepúsculo vespertino”, indica o OAL.

Catalina terá vindo da nuvem de Oort. Esta região, cheia de planetesimais (pequenos astros que resultaram da agregação de poeiras), tem o seu limite interior a cerca de um ou dois anos-luz do Sol e o limite mais exterior corresponde ao limite do sistema solar. O cometa terá sido “expulso” da nuvem por ação de uma estrela ou outro objeto celeste com uma grande força gravítica e agora dirige-se para o interior do sistema solar, mas viaja a tal velocidade que não se deixará “prender” pela ação do Sol.

planetas-horas_janeiro_2016

Ainda assim, se quiser tentar ver o cometa ou os restantes planetas visíveis do sistema solar, procure uma zona de céu escuro, longe das zonas urbanas, com o horizonte desimpedido e desfrute, mas não se esqueça de levar um bom agasalho. O OAL deixa algumas informações que podem ajudar:

  • Mercúrio vai estar na constelação de Sagitário. Até dia 11 de janeiro será visível no crepúsculo vespertino a oeste e a partir de dia 17 no crepúsculo matutino a este;
  • A sudeste, durante a madrugada, aparecerá Vénus na constelação de Ofiúco. E ao amanhecer, na mesma constelação, aparece Saturno;
  • Também pela madrugada será possível ver Marte, a partir das duas da madrugada: primeiro na constelação de Virgem, depois na constelação de Balança;
  • Júpiter será visível durante a noite e a madrugada na constelação de Leão, na direção este;
  • Úrano e Neptuno só podem ser observados com telescópio, um na constelação de Peixes, o outro na constelação de Aquário, respetivamente.