O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) alertou hoje para as condições “terríveis e pouco higiénicas” em que vivem as crianças nos acampamentos de migrantes erguidos em redor do porto de Calais, norte de França.

O porta-voz do ACNUR, William Spindler, afirmou que a agência das Nações Unidas está profundamente preocupada com esta situação, especialmente com os casos de crianças que vivem sozinhas nos acampamentos ou que foram separadas das respetivas famílias.

As condições dos campos são “terríveis” e “muito pouco higiénicas”, disse o representante.

“As crianças estão muito vulneráveis a qualquer tipo de exploração. Sabemos que traficantes de pessoas estão presentes nestes locais”, frisou o porta-voz.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Cerca de 4.000 migrantes vivem num acampamento improvisado, conhecido como “A Selva”, nos arredores de Calais, na esperança de conseguirem passar de forma ilegal para o Reino Unido, através do túnel sob o canal da Mancha (Eurotúnel), em comboios ou em camiões de mercadorias.

Quase 2.000 outros migrantes vivem num segundo acampamento, em Grande-Synthe, que foi erguido a cerca de 40 quilómetros de Calais.

As autoridades francesas estão a disponibilizar alojamento para os migrantes qualificados como vulneráveis, bem como estão a instalar contentores no acampamento conhecido como “A Selva”, com uma capacidade para 1.500 pessoas. Neste momento, 680 destes lugares já estão ocupados.

Abrigos também estão a ser construídos, conforme as normas internacionais, na zona de Grande-Synthe.

O ACNUR apelou para a criação de locais de acolhimento direcionados para as crianças e instou as autoridades francesas a procurarem urgentemente formas de melhorar a proteção destes menores, nomeadamente daqueles que têm familiares em outro Estado-membro da União Europeia (UE).