O presidente dos EUA, Barack Obama, quer cobrar uma taxa de 10 dólares por cada barril de petróleo – que hoje custa pouco mais de 30 dólares – para reduzir a dependência energética dos combustíveis fósseis e financiar a criação de um “sistema de transportes limpo para o século XXI“. Segundo o Politico, a medida consta da proposta de Orçamento federal a apresentar na próxima semana. Mas terá muito poucas hipóteses de se concretizar, dado o domínio dos republicanos no Congresso. Ainda assim, a proposta pode introduzir um novo tema no debate eleitoral, que até ao momento se tem focado muito pouco nas questões energéticas e ambientais.

A notícia do Politico não é clara sobre a forma concreta como este imposto seria cobrado, se seria na produção ou na comercialização. Mas as empresas do setor energético já vieram criticar a proposta, garantindo que iria aumentar o preço da gasolina num mínimo de 25 cêntimos por galão (cada galão líquido corresponde a 3,8 litros), sendo que um galão custa atualmente bem menos de dois dólares. Além disso, a indústria diz que esta medida iria matar a indústria petrolífera norte-americana, sobretudo as novas empresas de exploração do xisto.

Um congressista republicano citado pelo Financial Times diz que a proposta é um “nado morto“. O objetivo de Obama seria obter 300 mil milhões de dólares para financiar investimentos ao longo da próxima década, em áreas como os comboios de alta velocidade, automóveis sem condutor e elétricos, entre outras ideias que existem para reduzir as emissões nocivas para o ambiente. Segundo a Casa Branca, 30% das emissões nocivas nos EUA dizem respeito ao transporte.

A intenção deste plano é “criar um incentivo claro para a inovação no setor privado para que se reduza a dependência do petróleo e para que se invista na pesquisa tecnológica que irá dar-nos a energia do futuro“. Porém, os assessores de Obama que passaram a informação ao Politico reconhecem que a medida, nos termos agora propostos, dificilmente avançará. Mas acreditam que pode ser uma forma eficaz de fomentar o debate sobre as questões do transporte amigo do ambiente.