Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia frisaram hoje que a Turquia tem o dever “moral e legal” de acolher os refugiados sírios que fogem de Alepo e estão concentrados na fronteira turca. Reunidos em Amesterdão para discutir a crise migratória, os ministros europeus sublinharam ao homólogo turco que a ajuda de três mil milhões de euros aprovada pela UE serve precisamente para dar à Turquia os meios de prestar essa ajuda.

Dezenas de milhares de sírios fugiram esta semana para a fronteira com a Turquia na sequência de uma ofensiva militar contra a cidade de Alepo lançada pelo regime com o apoio da força aérea russa. Em Amesterdão, o ministro turco, Mevlut Cavusoglu, assegurou que a Turquia vai manter a “política de fronteiras abertas” aos refugiados, mas não precisou quando é que os sírios bloqueados na fronteira vão poder passar.

“Há um dever moral e legal de proteger quem necessita de proteção internacional”, disse a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini. Na reunião participaram igualmente os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países dos Balcãs, pelos quais transitam dezenas de milhares de migrantes que chegam à Grécia e se dirigem à Europa do norte.

Numa altura em que a passagem dos migrantes pela fronteira entre a Grécia e a Macedónia é cada vez mais difícil, a Áustria, para onde pretendem seguir muitos dos migrantes, defendeu uma proposta da Hungria de criar “uma linha de defesa” nos Balcãs, desde logo na Macedónia, face à incapacidade da Grécia para “proteger o espaço Schengen” de livre circulação na Europa.

“Precisamos de uma solução para as fronteiras externas”, disse o ministro austríaco, Sebastian Kurz, à imprensa.

“Se não conseguimos gerir a fronteira entre a Turquia e a Grécia, a única hipótese é cooperar com a Eslovénia, a Croácia, a Sérvia e a Macedónia”, disse, referindo os países que os migrantes atravessam até chegar à Áustria desde que foram obrigados a contornar a Hungria devido ao encerramento de fronteiras.

Federica Mogherini negou contudo que a UE esteja a preparar uma missão policial ou militar na Macedónia, como desejam vários governos da Europa central. “Não me parece que seja uma solução” fechar as fronteiras, disse.

A Macedónia, por onde passaram 700.000 migrantes em 2015, já conta com reforços policiais e equipamento fornecido por vários países europeus, nomeadamente a Hungria e a Áustria, frisou Mogherini.