O porta-voz da Associação dos Industriais de Calçado admitiu hoje que o setor está a acompanhar “com apreensão” o eventual fim das ligações Porto/Milão pela TAP, que foi sempre “a companhia de excelência” das empresas daquela fileira.

“Acompanhamos esta situação com apreensão”, afirmou à Lusa Paulo Gonçalves, porta-voz da Associação dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), que hoje chegou com uma comitiva de 95 empresas portuguesas à maior feira de calçado do mundo, a Micam, em Milão.

O responsável lembrou que só este ano a associação realizou oito feiras no norte de Itália, onde está localizado o aeroporto de Milão, e que para esta edição da Micam viajaram cerca de 600 portugueses.

Segundo Paulo Gonçalves, “há uma tradição de relacionamento institucional entre a APICCAPS e a TAP no sentido de ajustar a oferta aérea às necessidades das empresas, de tal forma que, em várias ocasiões, a TAP substituiu voos de menor capacidade por outros de maior dimensão”.

Por esse motivo, disse, aquela transportadora “sempre foi a companhia aérea de excelência das empresas de calçado”.

O porta-voz do setor do calçado admitiu que daqui a seis meses, data em que se realiza a nova edição da Micam, em Milão, caso já não exista a ligação da TAP com partida do Porto, podem os empresários “recorrer a outras empresas” transportadoras.

Durante a manhã, o ministro da Economia, que visitou hoje a Micam, admitiu que com o fim da ligação Porto/Milão da TAP as empresas de calçado terão de fazer “um esforço adicional”.

Manuel Caldeira Cabral destacou, porém, que “as preocupações com o setor são várias” e que “as ligações ao exterior são uma preocupação importante” e pela qual o Governo está “a lutar”.

“Queremos facilitar a vida às empresas, dar-lhes melhores condições para operarem e dar-lhes também condições para evoluírem na inovação, na tecnologia e na qualificação da mão-de-obra, porque é por esse caminho que se cria mais valor”, realçou o governante.

A Micam decorre entre os dias 14 e 17 de fevereiro e contará com a presença de mais de 1.600 expositores, de cerca de 50 países, e mais de 40 mil visitantes profissionais.

Aquela que é a maior feira do calçado do mundo conta com a participação de 95 empresas portuguesas, responsáveis por 500 milhões de euros em exportações.

De Portugal, e para montar os 95 stands com cerca de 16 mil sapatos ‘Made In Portugal’, foram necessários 28 camiões TIR e 80 pessoas.