Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e o Governo vão reunir-se esta sexta-feira, tendo o banco já designado o seu representante, revela um comunicado divulgado nesta quinta-feira pela instituição liderada por Carlos Costa. Em discussão vai estar o caso do papel comercial emitido por empresas do Grupo Espírito Santo e colocado junto de clientes aos balcões do Banco Espírito Santo.

O representante do Governo é Diogo Lacerda Machado, segundo avança o Expresso. Contactado pelo Observador, o BdP ainda não respondeu sobre quem é o seu representante na reunião, nem em que dia foi este designado.

Num texto de apenas um parágrafo, o documento do banco central refere que “a propósito de recentes notícias sobre a posição do Banco de Portugal em relação à situação dos investidores em títulos das sociedades Espírito Santo International e Rioforte, o Banco de Portugal informa que, ainda antes das referidas notícias, e na sequência de contactos estabelecidos com o representante designado pelo Governo, foi aceite e marcada, a pedido deste último, uma reunião entre o Banco de Portugal, a CMVM e o representante do Governo, a realizar esta semana”.

O comunicado do Banco de Portugal surge dois dias depois das críticas do primeiro-ministro ao comportamento do banco central em relação ao problema do papel comercial, com um aumento da pressão do PS e do Governo sobre a instituição e, em especial, sobre o governador. Na quarta-feira, António Costa acusou o BdP de estar a “arrastar” a solução do problema dos lesados do BES.

Nessa altura, já estava marcada a reunião que o BdP alude, mas a questão que se punha é que até esse dia o banco central ainda não tinha indicado o seu representante. Só esta quinta-feira, através do comunicado do BdP houve a certeza que a reunião iria decorrer com todos os participantes – no passado, já houve reuniões sobre os lesados do BES sem a participação do BdP, tendo sido assim inconclusivas.

“Tenho de lamentar a forma como o Banco de Portugal tem vindo a arrastar uma decisão sobre esta matéria, a impedir que rapidamente esta solução proposta pelo Governo e aceite pela maioria dos lesados do BES pudesse estar implementada. E tenho esperança que tão rapidamente quanto possível, o BdP assuma a postura responsável que todas as entidades públicas, como o Estado e a CMVM, ou privadas como o BES ou Novo Banco estão disponíveis para assumir”, disse na quarta-feira António Costa, em Aveiro em respostas aos jornalistas.

Esta quinta-feira, o líder parlamentar do PS, Carlos César, ajudou à pressão: “Há uma realidade com que os portugueses vivem que é de alguma falta de confiança ou pelo menos uma avaliação frágil, quer dos depositantes quer dos utilizadores do sistema bancário em relação ao regulador e ao Banco de Portugal. É bom dizê-lo que essa fragilidade que tem sido detetada na ação do Banco de Portugal não tem sido minorada, pelo contrário tem sido agravada”, disse. Em parte, mas não só, por causa da situação dos lesados do BES, na qual, afirmou, o governador tem agido com uma “lentidão excessiva na tomada de decisões que são necessárias para que esse processo tenho o andamento adequado”.