Desta vez, com pose de Governo, Augusto Santos Silva não subiu ao palco das jornadas parlamentares para “malhar na direita”. Suavizou no verbo, mas o alvo foi o mesmo. Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta ajudou à crítica. O inimigo político é um e está à espreita para a discussão do Orçamento do Estado. Por fim, um provérbio em conclusão: “O povo diz ‘bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz não faças o que ele faz’. [Não se deve fazer] o que eles dizem nem o que eles fazem”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Já antes, tinha disso Ana Catarina a puxar das críticas.”O ex-primeiro-ministro deve sofrer e amnésia, quando pede melhores condições para os portugueses. Seria para rir se não fosse tão trágica a marca de retrocesso social que imprimiu em Portugal nos últimos quatro anos”, disse Ana Catarina Mendes.

No discurso que fez na sessão de encerramento das jornadas parlamentares, a secretária-geral adjunta do PS ainda lembrou o episódio das críticas lá fora. No primeiro dia tinha sido Silva Pereira a denunciar pressões de eurodeputados contra os interesses de Portugal. Ana Catarina foi mais suave, mas lembrou que “a direita [europeia] espreita para Portugal como se Portugal fosse o mal da Europa”, e espreita até pelo tipo de Governo que “não é uma coligação, mas uma governação com o apoio dos partidos à sua esquerda”. Mas, disse, é também uma direita que “aposta na não execução do Orçamento”. Mais importante do que os estrangeiros, disse, é que “há deputados europeus portugueses que apoiam este caminho de que a austeridade é o único caminho possível”, disse.

O mote estava lançado. Quando Augusto Santos Silva subiu ao palco, para substituir António Costa que ficou retido em Bruxelas por causa do prolongamento do Conselho Europeu, disse logo ao que ia: marcar as diferenças para a governação anterior. “Não consigo esconder a minha perplexidade. Qual a autoridade daqueles que falharam todos os objetivos orçamentais para falarem agora dos nossos objetivos orçamentais?”, questionou Augusto Santos Silva.

O ministro defendeu que agora tudo vai ser diferente – “há outro caminho”, disse – e que isso passa também pelo que aconteceu ao sistema financeiro. Com as críticas do PS e do primeiro-ministro ao Banco de Portugal, Santos Silva foi contido, não falou nem do governador nem do banco de Portugal e atirou para o anterior Governo. “Se a direita tivesse continuado a governar, teríamos mais o pecado por omissão que é não olhar a tempo para os problemas do nosso sistema financeiro deixando chegar a um ponto que não resta outra alternativa se não a intervenção publica”, disse, como exemplo das mudanças.

Na véspera da discussão do Orçamento do Estado, o PS prepara os argumentos contra a direita. “Nunca o PS foge a um bom combate, quanto mais difícil é o seu combate melhores nós somos na solução que as pessoas enfrentam todos os dias”, disse Ana Catarina num renovar do slogan: “Quanto mais a luta aquece, mais força tem o PS”.