Rádio Observador

Estranha Natureza

E se pudesse ver um dragão a pôr ovos?

Os dragões existem, embora não sejam exatamente como aqueles que conhecemos das histórias de fantasia. Mas na terra onde os dragões são venerados, existem alguns prestes a sair do ovo.

Se quer ver dragões impressionantes tem de ir à ilha de Komodo, na Indonésia. Já os mais modestos dragões australianos podem ser encontrados até nas lojas de animais. O que talvez não imagine é que também existem dragões na Eslovénia. Bem, não são “tão dragões” como os outros, mas era assim que os populares os chamavam: “dragões bebés”. Agora imagine ver um dragão a pôr ovos.

Se este texto lhe parece quase uma charada, deixe-me clarificar. Os dragões-de-komodo são os maiores lagartos do mundo, podendo chegar aos três metros e 70 quilos. Este grande lagarto não precisa correr para apanhar a presa – a dentada que lhes dá acaba por lhes provocar a morte e eles só precisam de segui-las e esperar que morram. Já os dragões-barbudos são bem mais pacíficos – ou o suficiente para serem um dos répteis mais comuns como animal de companhia. Mas quando se sentem ameaçados é vê-los inchar a barbela espinhosa.

Mas não nos desviemos do motivo que os traz aqui: os “dragões bebés” da Eslovénia. Já sabe que não têm asas, nem cospem fogo, mas também nem sequer são répteis – e os dragões, mesmo os da mitologia, tinham o corpo coberto de escamas. Os “dragões bebés” da Eslovénia são proteus (Proteus anguinus) – uma espécie de salamandra que vive permanentemente em grutas. E uma fêmea proteu da caverna de Postjona tem um presente para mostrar: uma coleção que conta com 50 ou 60 ovos.

A fêmea começou a pôr ovos no dia 30 de janeiro e tem posto um ou dois por dia. Há pelos menos três ovos que dão sinais de estar a crescer, refere a BBC. Em geral, os ovos demoram cerca de 120 dias a eclodir. Se de algum destes ovos nascer um novo “dragão bebé” será motivo de celebração: o estatuto de conservação da espécie é vulnerável – porque são sensíveis à poluição, à pressão turística e estão muito dependentes das caves subterrâneas.

Proteus anguinus num aquário da Caverna Postjona, na Eslovénia, em 2013.

Este anfíbio é cego e não tem pigmentos na pele – viver no escuro não o faz sentir falta de nenhum deles. Já o nome vem, naturalmente, das crenças: nas raras ocasiões em que os eslovenos os viam sair das grutas, achavam que eram bebés de dragão. Os dragões, e respetivas lendas, são realmente importantes neste país, basta ver qual o símbolo da capital Ljubljana. E os proteus eram um dos símbolos nas moedas eslovenas antes do euro.

Os proteus vivem normalmente em lagos de água doce subterrâneos, mas podem ser vistos à superfície quando chove muito. De corpo estreito, longo (cerca de 25 centímetros) e esbranquiçado, os proteus saiam das grutas durante as cheias e alimentavam as crenças em dragões. Estes anfíbios, ao contrário dos restantes membros do grupo, como as rãs, não sofrem metamorfoses. As larvas passam diretamente ao estado adulto, retendo, no entanto, características de juvenil, como as brânquias vermelhas do lado de fora do corpo.

Como estas salamandras cegas vivem nas grutas, os seus ovos nunca foram encontrados na natureza. Daí que ver uma fêmea de proteu a pôr ovos nas cavernas Postjona, numa zona frequentada por turistas, seja algo de surpreendente, como refere a BBC. Tanto os animais como os ovos são muito sensíveis e os investigadores estão preocupados. Em 2013, quando assistiram a outra postura, nenhum ovo eclodiu e muitos foram comidos por outros proteus do aquário. A fêmea agora foi deixada sozinha para evitar esses problemas. Agora, só nos resta esperar.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: vnovais@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)