Os Camarões condenaram à morte 89 presumíveis membros do grupo extremista Boko Haram por “terrorismo”, desde o início de 2015, indicou esta sexta-feira uma fonte judicial.

As sentenças foram emitidas depois de o país ter adotado, em dezembro de 2014, uma polémica lei antiterrorista que permite punir com a pena capital quem for considerado culpado de cometer ataques terroristas ou de cumplicidade em terrorismo.

Os condenados foram, na maioria, detidos na fronteira dos Camarões com a Nigéria, terra natal do grupo ‘jihadista’ que jurou lealdade aos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI).

Os Camarões já tinham pena de morte para autores de homicídios, mas não havia execuções desde meados dos anos 1980.

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Quase 850 pessoas suspeitas de ligações ao Boko Haram estão encarceradas na prisão de Marua, capital do extremo norte dos Camarões. Entre elas, há nigerianos e chadianos, bem como camaroneses, de acordo com o jornal regional L’Oeil du Sahel.

Desde 2009, a violência do Boko Haram fez pelo menos 17.000 mortos e obrigou mais de 2,6 milhões de pessoas a abandonar as suas casas.

E quase 1.200 pessoas foram mortas desde que os combatentes nigerianos alargaram a sua ofensiva aos Camarões, em 2013, segundo números governamentais.

Nos últimos anos, os combatentes do Boko Haram atravessaram a fronteira para um lado e para o outro, usando frequentemente o norte remoto dos Camarões como base de retaguarda, adquirindo aí armas, veículos e abastecimentos diversos.

Mas desde novembro passado, o exército camaronês está a efetuar em vários pontos da fronteira operações destinadas a enfraquecer os ‘jihadistas’ nigerianos.

Em resultado, os rebeldes afastaram-se do confronto direto com os militares e optaram por atentados-suicidas, cada vez mais levados a cabo por mulheres e meninas.