O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu hoje ao seu homólogo uruguaio, Tabaré Vázquez, que preside à União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que convoque uma “reunião de emergência” para defender a Presidente brasileira, Dilma Rousseff.

A reunião, explicou o chefe de Estado da Bolívia, citado pela agência EFE, visa “defender a democracia, a Dilma, a paz no Brasil e o companheiro Lula [da Silva, ex-Presidente]”.

Evo Morales, que falava na cidade de El Alto, espera que Tabaré Vázquez agende a reunião “rapidamente”, para a Unasul poder “expressar a nossa solidariedade e evitar qualquer golpe parlamentar ou judicial”.

Segundo Morales, “algumas pessoas ricas” não querem “os pobres ou dos trabalhadores” e, com o seu dinheiro, vão para a imprensa e para as redes sociais para “confundir a juventude” e mobilizá-la “para golpes”.

“Tenho muito medo, se há um golpe de Estado, mais uma vez os trabalhadores irão organizar-se como numa guerrilha (e haverá) um conflito armado”, referiu.

Evo Morales defendeu ainda que “as nossas revoluções democráticas e pacíficas devem ser respeitadas pelas oligarquias e pelo império norte-americano”.

O chefe de Estado boliviano advertiu às “oligarquias na América Latina”, que “não se aventurem fazendo golpes utilizando o Congresso ou o judiciário” porque, segundo ele, as organizações sociais defenderão as “revoluções democráticas e pacíficas”.

Na sexta-feira, o governante tinha dito, num discurso perante mineiros na localidade de Colquiri, que a “direita sul-americana e a direita norte-americana” querem “dar uma lição” a Lula da Silva, para que o ex-dirigente sindical nunca mais volte a ser Presidente.

Este apoio surge numa altura em que a Presidente brasileira enfrenta um processo de impugnação e em que se multiplicam os protestos contra e a favor do Governo um pouco por todo o país.

Simultaneamente, o seu antecessor e mentor político, Lula da Silva, está a ser investigado no âmbito da Operação Lava Jato, sobre um esquema de corrupção que envolve várias empresas, incluindo a gigante petrolífera estatal Petrobras.