Um novo balanço divulgado por autoridades locais dá conta de que morreram no atentado suicida 72 pessoas e que 315 ficaram feridas. Entre os mortos encontravam-se 29 crianças. Segundo o porta-voz do governo da província de Punjab, da qual Lahore é a capital, já foram identificadas 54 vítimas, cujos corpos foram entregues aos familiares.

O atentado aconteceu este domingo num parque da cidade de Lahore, no Paquistão. A maior parte das vítimas são mulheres e crianças que se encontravam junto à zona de diversão infantil do parque Gulshan-e-Iqbal, na zona oeste da cidade. O grupo talibã Jamaat ul Ahrar reivindicou o atentado suicida, referindo que o objetivo era atingir os cristãos que celebravam a Páscoa.

“Assumimos a responsabilidade do ataque contra os cristãos que celebravam a Páscoa”, afirmou o porta-voz do grupo islamita Ehansullah Ehsan, ao diário paquistanês The Expresse Tribune, citado pela agência EFE. A organização terrorista indicou que este atentado faz parte de uma série de operações batizadas “Saut-ul-Raad” (a voz do trono), que continuarão ao longo de 2016.

“Estávamos à espera desta ocasião. Queremos dizer ao governante PML-N [a Liga Muçulmana] e ao primeiro-ministro que desembarcámos em Punjab e que conseguimos”, afirmou o porta-voz numa conversa telefónica com o The Express Tribune.

O atentado foi levado a cabo por um homem de 28 anos que se fez explodir. O suicida entrou no parque e fez-se explodir perto da zona de jogos para crianças. Maior parte das vítimas são crianças e mulheres, explicou um responsável administrativo da cidade, Mohammad Usman, acrescentando que o balanço poderá agravar-se.

Na altura do ataque, o parque encontrava-se repleto de famílias que aproveitavam o fim de tarde do domingo de Páscoa. Pouco menos de uma hora antes do ataque, o primeiro-ministro paquistanês – cuja base política de apoio é precisamente a região de Lahore – tinha publicado no Facebook uma mensagem de felicitação aos cristãos do país, por ocasião da Páscoa.

“A Páscoa aumenta o espírito de respeito mútuo entre nós e é uma boa lembrança dos ensinamentos de Jesus Cristo, um dos grandes profetas de Deus [Alá, no original em inglês]”, lê-se na mensagem de Nawaz Sharif, que ainda sublinha a importância da “diversidade de credos” no país e no mundo. “Estou confiante de que com esforços combinados e determinação coletiva conseguiremos derrotar as forças de desacordo que estão a tentar provocar danos sérios às bases da nossa sociedade.”

O ministro-chefe de Punjab, Shahbaz Sharif, anunciou três dias de luto devido ao atentado e que todos os edifícios governamentais da província vão colocar a bandeira nacional a meia-haste.

Pakistani rescuers and officials gather at a bomb blast site in Lahore on March 27, 2016. At least 25 people were killed and dozens injured when an explosion ripped through the parking lot of a crowded park where many minority Christians had gone to celebrate Easter Sunday in the Pakistani city Lahore, officials said. / AFP / ARIF ALI (Photo credit should read ARIF ALI/AFP/Getty Images)

O local onde se deu a explosão fica muito próximo das diversões infantis, que são visíveis à esquerda desta fotografia. A polícia e o exército criaram um perímetro em redor do parque para controlar as multidões que ali acorreram (Fotografia de ARIF ALI/AFP/Getty Images)

Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal já condenou o ataque. “Portugal condena mais este atentado e reafirma o seu compromisso com a luta internacional contra o terrorismo”, disse Augusto Santos Silva, numa declaração à agência Lusa. “É mais um atentado bárbaro”, disse o ministro, salientando o facto de, neste caso, ter visado crianças. “Além do que é comum a todos os atentados terroristas, atacar pessoas indefesas, este atentado visou especificamente uma minoria religiosa e muitas crianças”, afirmou Augusto Santos Silva.

Os feridos estão a ser transportados para os hospitais da cidade, que fizeram um apelo a doações de sangue. Lahore é a segunda maior cidade do Paquistão e capital da maior região do país, Punjab. Fica situada a cerca de 400 quilómetros da capital, Islamabade. Vivem ali perto de dez milhões de pessoas.