Esteve muito calor na segunda tarde do Rock In Rio Lisboa, esta sexta-feira dia 20. Além da música, o Palco Vodafone tem a virtude de ter uma vista privilegiada sobre a cidade, e ontem casou tudo na perfeição.

Os Pista foram os primeiros a subir ao palco. Pose descontraída, traje psicadélico q.b., à rapaziada do Barreiro juntou-se Alex D’Alva Teixeira, para emprestar a voz a alguns dos temas de uma banda que toca, principalmente, temas instrumentais. O andamento foi, como era de esperar, elevado. Têm uma energia fantástica, fazem aquilo a que podemos chamar de música rock para bailar, sempre a abrir, uma animação que passou sem dificuldade do palco para o público, àquela hora ainda pouco e escondido à sombra, mas sem desarmar. Os Pista foram incansáveis e, também por isso, mereciam mais gente.

Às seis da tarde ainda estavam quase 30ºC e o Sol ainda alto. Os Sensible Soccers arrancaram escuros como a noite, com um instrumental denso (“Clausura”) incluído no último álbum Villa Soledade (2016). Quem gosta gosta mesmo, algumas dezenas de pessoas correram para a frente do palco, onde a banda se alinhou num setup simples mas curioso. Muito juntos no meio do palco (não por falta de espaço), virados uns para os outros em direção ao centro, quase um semicírculo. Rodaram entre as guitarras e os teclados, foram não só competentes como muito inteligentes, ao saberem alinhar a música com a altura do sol. Entraram em modo “sunset” e ofereceram a melhor das bandas sonoras para o final de tarde. Ficou outra vez a sensação de que será uma questão de tempo até darem o salto. Basta ter ouvido “AFG” para sentir que o mundo está à espera deles.

Já com o Sol perto da linha do horizonte, chegaram os brasileiros Boogarins, os cabeça de cartaz do segundo dia do Palco Vodafone. São uma banda recente mas com um percurso internacional vertiginoso, com já aqui demos conta. Cresceram ao som d’Os Mutantes, de Caetano Veloso e do movimento tropicalista dos anos 1960, têm muito talento — já reconhecido — que os levou a partilhar o palco com Andrew Bird, recentemente, numa digressão pelos EUA.

Certinhos e afinados, entraram na perfeição no espírito do fim de tarde e do festival. Foram gentis e divertidos, até os aviões a passar os faziam sorrir. Não levantaram muita gente do chão mas também não era esse o propósito. Os muitos que ali estiveram gostaram, os sorrisos estavam no rosto. Já perto das 21h chegou o frio, implacável ali na colina Vodafone, mas os sons desta nova música brasileira aqueceram as almas.

A curadoria do palco alternativo da Cidade do Rock foi da responsabilidade da equipa da Vodafone FM. Esta sexta-feira voltámos a interromper o trabalho do Pedro Moreira Dias para recolher as primeiras impressões destes dois dias.

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Dias 27, 28 e 29 de maio, o Palco Vodafone recebe os Metz, Real Estate e as Hinds, como cabeças de cartaz. Vai ser em grande. Tudo o resto é made in Portugal, e do bom: Glockenwise, Cave Story, Capitão Fausto, Mighty Sands, B Fachada e Isaura.