Este domingo, último dia do Rock in Rio Lisboa, ouviu-se um pouco de tudo no Palco Vodafone, um cenário assumidamente alternativo num festival dirigido às massas. Foi o dia musicalmente mais transversal, no sentido em que cruzou três artistas com estilos bem diferentes.

Ao contrário do dia anterior, já com bom sol, a primeira a chegar foi a portuguesa Isaura. Neste último dia todos os espetáculos começaram uma hora mais cedo e às 15h45, já Isaura Santos tinha à sua frente algumas centenas de pessoas, mais que em outros concertos que começaram a horas mais tardias. Foi mais uma prova que a artista já saltou de Gouveia para o país inteiro, não só a partir do famoso “Change It” mas também de outros temas do EP Serendipity (2015), o disco que foi a base da atuação em que se apresentou com mais músculo, pela presença de uma banda que incluiu guitarra e bateria, além das habituais teclas e sintetizadores. Tocou temas novos, nomeadamente o single “8”, e por duas vezes. Dúvidas houvesse, ficaram desfeitas: Isaura continua a ganhar fôlego e o público está a seguir-lhe os passos com bastante atenção.

Seguiu-se B Fachada, essa criatura imprevisível, que assim que entrou em palco perguntou: “é preciso chamar os amigos?”. Não foi. Isto porque estava muitíssimo bem-disposto, o talento já anda sempre agarrado a ele e foi o que lhe bastou para conquistar a plateia. Cantou temas de vários dos seus muitos discos, que foi apresentando subtilmente com piadas bem feitas, falou falou falou e riu com efeito de contágio. É difícil resistir a um artista inteligente, criativo e competente musicalmente, ainda por cima bem-humorado. Junte-se uma caixa de ritmos e é o que basta para ter um bom espetáculo, a valer por muitas bandas completas. A dada altura atira com um “[isto é] quase tão bom como Capitão Fausto!”. No que toca à diversão foi muito melhor, Bernardo. Foi uma lição, sem papas na língua.

A fechar a tarde, que é como quem diz às 19h de um dia de primavera, uma luz igualmente bonita recebeu as madrilenas Hinds, quatro artistas de garage-rock-punk bem vestido e maquilhado. O quarteto espanhol atira para o passado o estereotipo do artista rockeiro mal vestido e grosseiro e, tal como aconteceu no ano passado no festival Vodafone Paredes de Coura, estiveram na Bela Vista com graça e simpatia, numa quase contradição com o som que fazem, por sinal, bem mais afinado, este último ano de estrada está a fazer-lhes bem. O álbum de estreia Leave Me Alone, de janeiro deste ano, foi tocado sem mácula. No final, ainda desceram ao fosso para cumprimentar os fãs, vender e autografar t-shirts. Foram a banda cabeça de cartaz e, além da música, deram uma lição de marketing. É caso para dizer: portugueses, aprendam.

Contas feitas, foi um último dia diverso e globalmente prazeroso, mas onde tem de ser dado um destaque especial a B Fachada, o rei da festa. Mas tal como ele, passaram por ali outros. Ninguém melhor que Pedro Moreira Dias, um dos curadores da equipa da Vodafone FM que cuidou de escolher o alinhamento do palco alternativo, para fazer o resumo destes cinco dias.

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Em 2018 o Rock in Rio volta à Bela Vista para a oitava edição, onde seguramente não vai faltar a música alternativa do Palco Vodafone. Assim esperamos, porque é muito importante continuar a abanar as massas, criar pontes para a descoberta e válvulas de escape.