Uma coluna humanitária transportando ajuda alimentar entrou na quinta-feira à noite pela primeira vez desde 2012 na cidade rebelde síria de Daraya, mas a distribuição não pôde ser feita nesta sexta-feira devido a intensos ataques aéreos do regime.

“A ajuda entregue ao gabinete de socorro da autarquia da localidade não foi distribuída devido à intensidade dos bombardeamentos, que ainda não pararam desde hoje de manhã”, disse Shadi Matar, membro do conselho da cidade sitiada que faz as vezes de câmara municipal, à agência de notícias francesa AFP via internet. “Houve uma largada intensiva de barris de explosivos que atingiram a cidade de forma cega desde as 09h00 (07h00 de Lisboa), acrescentou o ativista.

Durante a noite, nove camiões descarregaram nesta cidade que fica a dez quilómetros a sudoeste de Damasco “ajuda alimentar, incluindo alimentos secos e sacos de farinha, ajuda não-alimentar e também ajuda médica”, afirmou Tammam Mehrez, diretor de operações do Crescente Vermelho Sírio.

O responsável indicou que os víveres são suficientes “para um mês”. Segundo as Nações Unidas, os caixotes de alimentos destinam-se a 2.400 pessoas. A coluna humanitária transportava igualmente produtos sanitários e higiénicos e água potável. Mas para os habitantes, os números não são esses, porque embora, segundo a ONU, haja 4.000 habitantes em Daraya, o conselho municipal garante que os residentes são o dobro.

“Não compreendemos os números da ONU”, disse Shadi Matar, precisando que os alimentos “serão divididos para que cheguem para toda a gente”. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) também deu conta “de um descontentamento”.

O Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) congratulou-se com o facto de a ajuda ter podido entrar em Daraya pela primeira vez desde 2012, mas acrescentou que “a ONU continua a exigir o acesso incondicional e sem entraves [às zonas cercadas] em toda a Síria”.

Bastião rebelde muito emblemático, Daraya foi uma das primeiras cidades a revoltar-se contra o regime e também uma das primeiras a serem cercadas.

A 1 de junho, uma coluna de ajuda humanitária conseguiu pela primeira vez desde 2012 entrar na cidade, mas sem alimentos, para grande desespero da população esfaimada. O Governo de Damasco recusou-se até então a deixar entrar ajuda em Daraya, cujo controlo tenta há quatro anos recuperar porque a cidade fica próxima da base aérea de Mazzé, sede dos serviços de informações da força aérea.