Fernando Santos surgiu após a vitória nos oitavos-de-final no seu estilo inconfundível: sereno, zero eufórico, crente e a olhar para a frente. Portugal venceu a Croácia graças a um golo de Ricardo Quaresma, a três minutos do fim do prolongamento, empurrando Portugal para as melhores oito seleções da Europa. Quaresma é o terceiro português a marcar num prolongamento, depois de Jordão (1984) e Rui Costa (2004). O que achou da partida, mister?

“Foi um jogo muito forte, sabíamos isso. A Croácia é uma excelente equipa, estudámos muito a Croácia. Procurámos maniatar os desequilíbrios da equipa adversária, os seus momentos principais”, começou por dizer aos microfones da RTP, na flash interview. “Procurámos responder sempre, com confiança, com capacidade de ter bola, procurando jogar. O jogo foi muito equilibrado, nunca foi muito dominado por ninguém. Na primeira parte nem me lembro de a Croácia ter feito algum lance ou o nosso guarda-redes ter feito defesa. Nós também não tivemos nenhumas grandes chances. Quando duas equipas são fortes, é difícil criar desequilíbrios. A minha equipa esteve completamente focada no seu objetivo, acabou por ser feliz, mas mereceu esta felicidade. Tem faltado um pouco, hoje apareceu…”

Fernando Santos reconheceu que a Croácia soube fechar bem os espaços, limitando a ação de Cristiano Ronaldo. “Houve alguns lances de contra-ataque bons [de Portugal], que não conseguimos explorar bem. O adversário fechou bem os caminhos. Conheciam bem o Ronaldo, tentámos criar condições para o desbloquear. Foram duas equipas que se conseguiram bloquear. Nós fomos felizes, agora nestes últimos dois minutos, é normal… A equipa da Croácia começou a lançar bolas para a cima. Portugal mereceu a felicidade.”

E continuou: “Sou um crente, mas não tenho crenças. Sou um crente nesta equipa, nunca estive desolado. Nem desolado, nem muito preocupado, por assim dizer, porque acredito nesta equipa. O que quis dizer aos portugueses é que nem sempre fazemos o que gostávamos de fazer, porque não conseguimos, mas estes jogadores estão aqui com um objetivo. Não estou eufórico, os meus jogadores também não. Vamos continuar a lutar. Mais uma final. Final é final, até à última final…”

Quando questionado sobre a opção que tomou para substituir André Gomes, Fernando Santos explicou que João Moutinho estava indisponível e que Renato Sanches ainda está muito verdinho para jogar na linha. Ou seja, preferiu puxar Nani para a linha. “Houve ali uma fase do jogo que me pareceu importante [usar 4-3-3], pelo rendimento físico. Tive de tirar o André [Gomes] do jogo, estava a ter dificuldades. O João [Moutinho] não estava em condições para entrar nesta partida. Podia ter colocado Renato em campo, que era opção clara, mas pareceu-me melhor meter Nani numa das alas, porque Renato, numa das alas… ele é novo… nestes jogos pode perder um pouco o controlo do jogo. O Srna era complicado. Foi uma opção estratégica.”