A Itália está a ponderar a criação de um pacote de 40 mil milhões de euros para reforçar o capital dos bancos do país, invocando impacto do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia. A informação está a ser avançada pelo jornal Il Fatto Quotidiano que cita fontes governamentais e financeiras.

A notícia, que está a ser reproduzida pela agência Bloomberg, avança que o governo italiano tem um plano para financiar as injeções de capital com a emissão de dívida pública e está já em negociações com a Comissão Europeia. Se este plano fosse para a frente, o Estado italiano passaria a ser acionista dos bancos do país. Bruxelas tem de aprovar este financiamento ao abrigo das regras de ajudas de Estado. Fonte do governo italiano contactada pela Bloomberg não comentou.

A publicação italiana acrescenta que o governo pode fornecer diretamente fundos aos bancos em circunstâncias excecionais de stress sistémico. Roma usaria assim o Brexit como argumento para convencer Bruxelas a permitir um resgate à banca italiana que está pressionada por crédito mal parado no valor de 360 mil milhões de euros.

A Itália já conseguiu fazer aprovar um veículo para os ativos depreciados dos bancos, uma espécie de banco mau, mas a solução que passou em Bruxelas acabou por ficar muito aquém do inicialmente pretendido. Também Portugal quer negociar uma solução transversal para a banca nacional que liberte as instituições dos ativos de má qualidade (crédito e imobiliário) que têm vindo a provocar imparidades nos balanços dos bancos. Já há conversas entre Lisboa e as instâncias europeias, mas pouco se sabe do progresso em relação a uma solução que envolveria o banco do Estado, a Caixa, mas também bancos privados.

As regras da união europeia são muito rígidas em matéria de intervenção de fundos públicos no setor bancário, sobretudo depois dos grandes resgates bancários e nacionalizações realizadas a seguir à crise financeira de 2008 e 2009. Países como Itália, mas também Portugal, poderão alegar que o impacto negativo da saída do Reino Unido da União Europeia é comparável aos efeitos da crise financeira no setor bancário.

O setor financeiro deverá ser um dos mais afetados pela tempestade Brexit. Os bancos têm protagonizado as maiores perdas em bolsa e a praça italiana está entre as mais penalizadas pela onda de desvalorizações.