David Cameron, o primeiro-ministro inglês, descartou um segundo referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia e desvalorizou a petição que reúne já milhões de assinaturas a pedir uma segunda consulta popular. O porta-voz do primeiro-ministro demissionário, citado pelo The Independent, afirmou que um segundo referendo “não está, nem remotamente, em cima da mesa”.

O primeiro-ministro começou o discurso na Câmara dos Comuns dizendo que o referendo foi “um dos maiores processos democráticos da nossa história” – com 72% dos votantes a ir às urnas – e que uma decisão deste tipo não pode ser feita apenas por políticos, mas pelos cidadãos também – que escolheram, por 52%, a saída.

“Não era o resultado que eu queria, nem o melhor resultado para o Reino Unido, mas não pode haver dúvidas sobre o resultado.” David Cameron reforçou esta ideia: “Repito o que disse, a decisão tem de ser aceite e o processo para a implementar deve começar”.

Para começar a preparar a saída da União Europeia, Cameron anunciou a criação de unidade que reportará diretamente, e aconselhará, o gabinete do primeiro-ministro. Mas o ainda líder do Partido Conservador avisou que o Reino Unido não vai invocar o artigo 50 (o artigo do Tratado de Lisboa que define a saída de um Estado-membro) enquanto não estiver preparado para isso.

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“Esta é a nossa decisão e caberá ao Reino Unido e apenas ao Reino Unido tomá-la.”

Cameron reforçou que o Reino Unido vai deixar a União Europeia, mas não vai virar as costas à Europa ao resto do mundo. E tentou assegurar que a vida dos cidadãos comunitários no Reino Unido, ou dos britânicos na União Europeia, não está comprometida, e que não haverá alterações na forma como as pessoas viajam ou sobre como os mercados funcionam.

No fim, o primeiro-ministro lembrou que as negociações e o tipo de relação que o Reino Unido vai manter com a União Europeia estão dependentes do próximo governo. David Cameron, quando anunciou a saída na sexta-feira, depois de conhecida a derrota no referendo, disse que um novo primeiro-ministro poderia ser escolhido no congresso do partido, em outubro. Mas um órgão interno do Partido Conservador considerou que o processo terá de ser antecipado, noticiou o Guardian. A 2 de setembro, o novo primeiro-ministro será anunciado.

Para estas negociações, David Cameron diz que serão envolvidos todos os países do Reino Unido e as ilhas. E que já esta semana vão começar as negociações com a República da Irlanda por causa da fronteira terrestre com a Irlanda do Norte. Mas o deputado escocês na Câmara dos Comuns confirmou o que a primeira-ministra, Nicola Sturgeon, já tinha dito: não estão dispostos a abandonar a União Europeia, nem que para isso tenham de fazer um segundo referendo pela independência.

Artigo atualizado às 16 horas com as declarações de David Cameron na Câmara dos Comuns.
Artigo atualizado às 16h20 com a data para o anúncio do novo primeiro-ministro.