O secretário de Estado do Tesouro, Ricardo Mourinho Félix, terá assumido perante o sindicato de trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos que o plano de reestruturação do banco público passa por um corte de cerca de 2.500 trabalhadores até 2020, começando em 2017 e prevendo-se a sua aplicação ao longo de três anos. A informação, segundo avança o Jornal de Negócios, terá sido transmitida pelo governante na passada quinta-feira durante um encontro que teve com o sindicato, e cujas conclusões foram hoje divulgadas através de um comunicado.

“A redução prevista do número de trabalhadores será da ordem dos 2.500. Embora essa avaliação seja feita pela nova administração e prevendo-se a sua aplicação a partir de 2017 e ao longo de três anos. Foi garantido que não haverá despedimentos e que a redução passaria por reformas ou reformas antecipadas, sempre por acordo entre a CGD e o trabalhador“, lê-se no comunicado do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo Caixa (STEC). Ou seja, o número ainda não é certo uma vez que dependerá de avaliação feita pela nova administração, liderada por António Domingues, que ainda não assumiu funções.

“A entrada em funções da futura Administração está pendente de uma nova obrigação da CE (a avaliação da idoneidade dos elementos propostos)”, lê-se no comunicado, onde o sindicato esclarece que o Governo garantiu que a entrada em funções da nova administração “estaria para breve”.

A par da redução de pessoal, irá haver também redução de balcões, especialmente no estrangeiro, em países como França e Espanha, e na Venezuela. Nesses locais onde vai diminuir a presença do banco estatal português, o STEC sublinha que, de acordo com o Governo, estão a ser preparados acordos preferenciais com bancos locais dos países em questão.

“A redução de balcões irá ocorrer maioritariamente no estrangeiro, onde os interesses da CGD e dos seus clientes passariam a ser assegurados por um Banco local através de acordo preferencial. No entanto, a nível dos Palop, o plano aposta num crescimento sustentável”, lê-se.

No mesmo comunicado, onde elenca as conclusões da reunião com o governante, o sindicato afirma que o Governo não avançou com novos dados sobre a injeção de capital que se prevê que seja feita. “O Governo assume, sem reservas, uma CGD de capital totalmente público, com uma dimensão nunca inferior à atual, em termos de quota de mercado, mas que permita apoiar mais as empresas, nomeadamente as PME, de uma forma mais próxima, e continuar a ser para a população o fiel depositário das suas poupanças e o seu banco de referência”, lê-se.

Nas últimas declarações, tanto o ministro das Finanças como o primeiro-ministro optaram por não avançar números, remetendo para as negociações que ainda decorrem com a Comissão Europeia, e que, segundo António Costa, estão prestes a ficar concluídas.

Esta terça-feira arranca, no Parlamento, uma comissão de inquérito sobre a gestão e recapitalização do banco público, que foi imposta por PSD e CDS-PP através de um requerimento potestativo (de caráter obrigatório). A comissão será presidida pelo social-democrata José de Matos Correia. “O Governo está também bastante preocupado com o desgaste da imagem da CGD, nomeadamente com o que se vier a passar na Comissão Parlamentar de Inquérito”, acrescenta o sindicato nas conclusões da reunião.