A primeira edição do Campeonato da Europa foi em 1960, em França, tal como em 1984 e 2016. A União Soviética, com Gavriil Kachalin no banco e Lev Yashin na baliza, venceu a Jugoslávia por 2-1, no Parque dos Príncipes. A Taça dos Campeões Europeus arrancou antes, em 1956, com o Real Madrid a dar início ao seu império europeu: 3-2 vs. Stade Reims. Ou seja, nos cruzamentos das histórias e das glórias, dos canecos que ficam para a eternidade, há jogadores que tiveram a brilhante ideia de conquistar as duas competições no mesmo ano. E foram apenas dez desde 1960…

Ronaldo e Pepe, vencedores da Champions deste ano contra o Atlético Madrid de Antoine Griezmann, são os novos clientes da dobradinha europeia, conta a ESPN. A primeira vez que um jogador venceu as duas competições foi em 1964: o Inter de Milão de Luis Suárez, o camisola 10 na final no Estádio Ernst-Happel, em Viena, bateu o Real Madrid por 3-1. A seguir, o espanhol voltou a usar a camisola 10 na final do Campeonato da Europa, disputado em Espanha, contra a ainda campeã europeia, União Soviética. Pereda e Marcelino marcaram e ofereceram o primeiro título europeu àquele país (2-1). Luis Suárez, o obreiro desta aventura em dose dupla, tem hoje 81 anos.

O mesmo filme só voltaria a ser visto em 1988, quando a Laranja Mecânica e o PSV conquistaram a Europa. O clube venceu o Benfica na final da Taça dos Campeões Europeus, em Estugarda. Foram precisos 11 penáltis para se decidir o campeão: foi António Veloso quem quebrou e deixou fugir a “orelhuda” para o país de Johan Cruijff. Na final do Europeu estiveram dois grandes pela frente: Valeri Lobanovsky (URSS) vs. Rinus Michels. Tudo aconteceu em Munique. “Tudo” é o futebol maravilhoso do tão badalado “futebol total”, com Ronald Koeman, Frank Rijkaard, Ruud Gullit e Marco van Basten, este com a camisola 12. Os homens do Milan resolveram: Gullit e Van Basten (2-0). Mais tarde, Arrigo Sacchi contaria que Van Basten era o melhor deles, mas nem por isso o mais indispensável: “Gullit era o número 1“.

Quem foram os heróis nacionais por alguns tempos? Hans van Breukelen, Ronald Koeman, Berry van Aerle, Gerald Vanenburg e Wim Kieft, jogadores do PSV e da seleção holandesa

Esta lengalenga continuou em 2000, com a França e o Real Madrid a assumiram o trono europeu. Os gauleses venceram o Europeu na final contra a Itália (2-1), depois de eliminarem Portugal nas “meias”. Os merengues arrumaram o Valencia a um canto: 3-0 (Morientes, McManaman e Raúl). Karembeu e Anelka coincidiam nas duas equipas.

Doze anos depois, o Chelsea de Roberto di Matteo, que assumiu os blues após a saída de André Villas-Boas, venceu o Bayern Munique em penáltis, em Munique. Nesse mesmo ano a Espanha enganou Portugal nas meias-finais (surprise, surprise) e conquistou a final do Euro contra a Itália, após um chocolate de alto gabarito: 4-0. Fernando Torres, que marcou ao Barça nas meias-finais da Liga dos Campeões e na final do Euro, e Juan Mata foram os sortudos que viveram tal coisa a dobrar. O canhoto também marcou na final de Kiev, que Pedro Proença arbitrou.

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Não havia um único português nesta lista, mas poderia muito bem haver. Em 2004, o FC Porto conquistou a Liga dos Campeões na Alemanha, com muitos dos titulares da seleção portuguesa que disputaria o Euro-2004. A equipa das quinas, orientada por Luiz Felipe Scolari, perderia a final contra a Grécia, no Estádio da Luz.