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Acesso ao Ensino Superior

Quanto custa comer, dormir e estudar? Os custos a ter em conta no ensino superior

Na hora de entrar para a faculdade, há muitas preocupações (e gastos) a considerar. Das propinas ao alojamento, passando pela alimentação, saiba os custos a ter em conta no acesso ao Ensino Superior.

Para diminuir os encargos dos alunos, as instituições dispõe de alguns alojamentos e refeitórios com preços reduzidos

Andreia Reisinho Costa

Artigo publicado originalmente em julho de 2015 e atualizado em julho de 2016 com os valores das propinas, alojamento e alimentação, com os dados mais recentes fornecidos pelas instituições do ensino superior.

Propinas, alojamento e alimentação. Na hora de entrar para a faculdade, há muitas despesas a ter em conta. Para que não se perca nas contas, o Observador reuniu tudo o que precisa de saber sobre quanto custa tirar um curso superior, de norte a sul do país.

Propinas e taxas de inscrição

O preço das propinas é uma das principais preocupações de pais e alunos. O valor é fixado todos os anos no início do ano letivo, até setembro, pelas próprias universidades e politécnicos. Este ano, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, decidiu que não haveria aumento da propina máxima, estabelecida desde o ano passado como 1.063,47%. A propina máxima pode aumentar na mesma proporção que a inflação, que no ano passado foi de 0,5%, o que se traduziria num aumento de cinco euros na propina máxima.

Este mapa é interativo. Clique nos círculos para ver o preço do valor da propina de licenciatura nas universidades e politécnicos portugueses.

A maior parte das universidades e politécnicos mantém o valor das propinas do ano anterior. A Universidade do Porto e o Instituto Politécnico de Viana do Castelo, por exemplo, mantêm o mesmo preço (999 euros anuais) há pelo menos seis anos. A Universidade da Madeira é a universidade que terá o maior aumento da propina – de 1.035 para 1.063,47 euros (a propina máxima). A Universidade do Algarve e a Universidade dos Açores também terão pequenos aumentos.

A propina mais barata é a do Algarve, com uma propina anual de 965 euros. Seguindo-se a Universidade dos Açores, onde alguns cursos têm um custo anual de 990 euros, e a do Porto (999 euros). Nos restantes estabelecimentos, as propinas estão acima dos mil euros, com as universidades de Aveiro, Coimbra, Lisboa, Nova de Lisboa, Madeira e ISCTE a assumirem a propina máxima. A Universidade dos Açores também alguns cursos com a propina máxima.

Já entre os politécnicos, o Instituto Politécnico de Bragança volta a aumentar este ano a propina – de 780 para 810 euros, mas o maior aumento será no Instituto Politécnico da Guarda, que aumenta 50 euros (para 950 euros), apesar dos protestos dos estudantes. De qualquer forma, e de um modo geral, as propinas dos politécnicos são mais baixas. Na maioria dos estabelecimentos, a prestação anual situa-se abaixo do limiar dos mil euros, à exceção dos institutos politécnicos de Lisboa, Leiria e Coimbra. O mais barato é o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave onde, no próximo ano letivo, tirar um curso custará 780 euros. O valor poderá ser pago em dez prestações mensais de 78 euros cada.

Nos anos 1990, tirar um curso superior em Portugal custava cerca de 200 euros por ano, um valor muito diferente do atual. Desde então, os valores não pararam de subir. Em 2003, as licenciaturas atingiram os 800 e 900 euros e, em 2012, ultrapassaram a barreira dos mil euros em muitas instituições. Ao valor das propinas, acresce a taxa de inscrição, os seguros ou outros emolumentos fixados por cada instituição.

Alojamento. Residências ou quartos alugados?

Quase todas as universidades e politécnicos dispõem de residências universitárias onde os alunos deslocados podem ficar alojados a baixo custo no decorrer do ano letivo. A única instituição que não dispõe de uma área de alojamento é o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, em Barcelos.

Este mapa é interativo. Clique nos círculos para ver o preço das residências, quartos alugados e pratos sociais (refeição completa) nas várias regiões do país.
Nota: os valores estimados para os quartos alugados basearam-se no site www.bquarto.pt.

Nos últimos anos, várias instituições do ensino superior têm feito um esforço para melhorar as condições de alojamento dos seus alunos. Entre 1998 e 2013, o número de camas disponíveis aumentou 48%, tendo sido registado um crescimento mais acentuado nos institutos e escolas politécnicas não integradas (88%), como refere Pedro Barrias no livro 40 Anos de Políticas de Ciência e Ensino Superior.

As residências universitárias, geridas pelos Serviços de Ação Social de cada instituição de ensino, foram pensadas para os estudantes bolseiros, com menores possibilidades financeiras. Por isso, estes têm sempre acesso prioritário ao alojamento, pagando uma mensalidade inferior à dos estudantes não bolseiros. Atualmente, o valor mínimo estabelecido para os alunos com bolsa é de 73,36 euros mensais, 15% do salário mínimo nacional. E caso fiquem alojados num quarto de valor superior, 73,36 euros será a comparticipação máxima pelos Serviços de Ação Social. Para os estudantes não bolseiros os preços variam muito entre instituições.

É importante lembrar que o preço do alojamento está sempre dependente do tipo de quarto (partilhado ou não), podendo mesmo ultrapassar a barreira dos 200 euros mensais. No ISCTE, por exemplo, é possível arrendar um apartamento T1 por 250 euros mensais. Já na Universidade da Beira Interior, na Covilhã, um T1 duplo custa 220 euros.

Os estudantes bolseiros que transitam para o segundo ou terceiro ano de faculdade têm sempre prioridade no acesso às residências universitárias. Apesar disso, é sempre guardada uma cota para os novos alunos, de modo a dar resposta a todos.

Para além das residências universitárias, os estudantes deslocados têm sempre a hipótese de alugar um quarto perto da faculdade. Como procurar uma casa pode ser uma verdadeira dor de cabeça, as associações de estudantes e os Serviços de Ação Social costumam ter à disposição dos alunos uma espécie de “base de dados”, com algumas propostas de aluguer. Para mais informações, contacte a universidade ou politécnico a que se pretende candidatar.

Alimentação. Cantinas e refeitórios

No que diz respeito à alimentação, a maioria das faculdades refere um valor entre os 100 e os 250 euros mensais. Mas tudo depende do estilo de vida do próprio estudante. Para ajudar a diminuir os custos, todos os estabelecimentos do ensino superior têm à disposição dos alunos cantinas e refeitórios, que servem diariamente milhares de refeições a preços reduzidos.

Na maioria das universidades e politécnicos, uma senha de almoço custa cerca de 2,50 euros para uma refeição completa – normalmente pão, sopa, prato principal, salada e fruta ou sobremesa. O preço está muitas vezes dependente da compra ou não antecipada das senhas, uma diferença que pode ser de 50 cêntimos. Noutros casos, a compra de packs de senhas também pode significar uma redução no custo total.

Para mais informações sobre as cantinas ou refeitórios (horários, preços e ementas), consulte o site dos Serviços de Ação Social da instituição a que pensa candidatar-se.

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Texto de Rita Cipriano e Vera Novais, ilustração de Andreia Reisinho Costa.
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