Alguns documentos soviéticos mostram que Mahmoud Abbas, presidente do Estado da Palestina, pode ter trabalhado para o KGB, principal organização de serviços secretos da União Soviética.

Um arquivo britânico tem um documento que lista os agentes da organização em 1983 e entre os nomes surgia o de “Abbas, Mahmoud”, nascido na Palestina em 1935 e agente secreto em Damasco, na Síria. À frente surgia o nome de código “Krotov” (“Toupeira”) e mais à frente aparecia escrito “agente do KGB”. Abbas nasceu na Palestina em 1935 e fugiu com a família para Damasco, em 1948, depois da formação do Estado de Israel.

A descoberta foi feita por Gideon Remez, um dos investigadores do Instituto Truman da Universidade Hebraica de Jerusalém enquanto investigavam sobre o envolvimento soviético no Médio Oriente.

A informação foi divulgada aos meios de comunicação israelita esta quarta-feira e foi rapidamente desmentida por oficiais palestinos, informa o New York Times.

Esta informação mostra-se ainda mais relevante já que o presidente russo, Vladimir Putin, tem promovido uma conversa entre Abbas e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, como explica Remez: “Achámos que era importante agora no contexto dos russos tentarem organizar uma reunião entre Abbas e Netanyahu, particularmente devido ao passado comum no KGB de Abbas e de Putin”. O presidente russo foi agente dos serviços secretos entre 1975 e 1991.

A Rússia enviou esta semana um diplomata a Jerusalém para pressionar Netanyahu a encontrar-se com o presidente palestino, mas os dois líderes parecem continuar de costas voltadas.

Isabella Ginor, também investigadora do Instituto Truman, explica que o passado de Abbas é importante – embora não seja possível “saber o que aconteceu mais à frente durante o seu serviço para o soviéticos” – já que este é o líder da Autoridade Palestina.

Os oficiais palestinos não fizeram grande caso da informação, negando o envolvimento do presidente com o KGB, afirmando que esta é uma forma de tentar “minar a credibilidade” de Abbas. “Há uma clara tendência de tentar prejudicar Abu Mazen [nome de guerra de Mahmoud Abbas] por várias entidades, incluindo Israel. Esta é uma nova tentativa de o difamar”, explicou Mohammed al-Madani, um membro do partido Fatah.

Oficiais palestinos afirmaram, depois de saberem da acusação, de que não havia necessidade de Abbas fazer parte do KGB, já que a Organização para a Libertação da Palestina – onde militou o presidente – trabalhava diretamente com a URSS.

Os documentos onde se encontrava o nome de Abbas foram compilados por Vasily Mitrokhin, um antigo arquivista para o KGB que ficou desiludido com a repressão da União Soviética e entregou milhares de páginas aos serviços de inteligência britânica. Os documentos foram passados à mão e ficaram conhecidos como “arquivo Mitrokhin”.

Embora seja bastante claro quanto ao envolvimento do presidente palestino com a organização, os documentos não revelam como ou quando este foi recrutado, nem o que fazia na agência ou durante quanto tempo trabalhou para o KGB.

Remez explica que não pretende minar Abbas e mostrou-se a favor das conversas entre israelitas e palestinos, desde que não com o auxílio dos russos. “Não é boa ideia, por isso pensámos que este seria o momento oportuno para ir a público com esta descoberta.”