O porta-voz do Partido Socialista, João Galamba, diz em entrevista ao jornal i que “a página da austeridade não se vira num dia” e que, apesar das cativações orçamentais, “este governo travou a degradação dos serviços públicos e a sua privatização“. Nem todas as cativações dizem respeito a verbas que “necessariamente melhoram a qualidade dos serviços públicos”, afirma o deputado socialista, que acrescenta que “houve percalços” na gestão da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos mas que o que importa é o resultado final. Ainda sobre a Caixa, Galamba diz que “em todos os bancos do mundo há crédito disparatado“.

Entrevistado pelo jornal i, João Galamba recusa a ideia de que o governo não está a acabar com a austeridade como prometeu na campanha eleitoral. Questionado sobre as medidas já tomadas pelo governo de esquerda, Galamba diz: “é tudo o que gostaríamos? Não. Mas temos sempre de fazer escolhas“.

“A ideia de que o país tem como elemento central da sua política orçamental a redução de despesa e/ou o aumento dos impostos, sim, acabou. O efeito global entre redução de rendimentos que aconteceu neste Orçamento é positivo. Enquanto isso acontecer, entendo que a página da austeridade está a ser virada. Mas a página da austeridade não se vira num dia. Entendo que esse caminho tem condições para ser mantido e aprofundado”.

Mesmo tendo em conta as “cativações” de despesa anunciadas recentemente pelo governo, João Galamba diz que “as cativações significam se os serviços têm mais ou menos verbas disponíveis. Nem todas essas verbas são necessariamente verbas que melhoram a qualidade dos serviços públicos”.

João Galamba, que garantiu que “não aceitaria” convites de uma empresa como a Galp para ver um jogo de futebol, reconheceu, ainda, que “houve alguns percalços” na recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e que houve momentos “que poderiam ter sido mais bem geridos”. Mas o que importa é o que Mário Centeno e Ricardo Mourinho Félix “conseguiram em Bruxelas”. Mas, sobre a Caixa, Galamba diz que não alinha com a descrição do banco do Estado como uma “casa dos horrores“.