Irina Bokova, a candidata búlgara a secretária-geral das Nações Unidas, não poupa críticas à decisão do Governo búlgaro de avançar com a candidatura da sua compatriota Kristalina Georgieva, considerada a mais difícil adversária de António Guterres na corrida à liderança da ONU. Bokova fala em comportamento “indigno” e garante que “não vê razões para desistir”.

Questionada pelo diário búlgaro 24 Tchassa, sobre a possibilidade de retirar a candidatura, um dia antes de Kristalina Georgieva assumir a candidatura, Bokova afirmou que “não via qualquer razão séria” para desistir.

Não vejo razões para desistir. Nenhum dos outros candidatos, nem mesmo os que têm piores resultados, estão a fazê-lo porque a corrida continua”.

Na quinta volta do escrutínio indicativo e por voto secreto no Conselho de Segurança na segunda-feira, Irina Bokova ficou em sexto lugar. Ainda assim, a diretora-geral da UNESCO continua a acreditar que mantém boas condições para assumir o cargo.

“Acredito que continuo a ser uma série candidata ao cargo, mas parece que o sucesso do início da minha candidatura não foi do agrado de certos círculos dentro e fora da Bulgária. Ao verem que poderia ter a oportunidade de ganhar, lançaram uma campanha negativa contra mim”, sugere a búlgara.

Bokova continua: “Infelizmente, sou a única candidata que está a ser confrontada com uma campanha histérica e caluniadora no seu próprio país”, lamenta.

O Governo búlgaro tinha declarado, antes da votação, que podia rever o apoio a Bukova, caso a diretora-geral da UNESCO não ficasse em “primeiro ou segundo” lugar. Cenário que se veio a confirmar esta quarta-feira.

Antes, na terça-feira, Bokova já se tinha pronunciado sobre as palavras dos responsáveis búlgaros, considerando indignas as especulações sobre a possibilidade de substituir a sua candidatura. “Isso não acontece a nenhum candidato em nenhum outro país”, disse, numa referência ao nome de Georgieva, considerando que “a verdadeira batalha está para vir”, já que as cinco primeiras voltas são apenas uma “etapa preliminar de posicionamento dos candidatos”.

Se for apresentada uma segunda candidatura [pela Bulgária], isso seria um grave erro político. E ia enfraquecer não apenas as minhas hipóteses, mas também as hipóteses do outro candidato”, sublinhou.

Irina Bokova, que tem o apoio da Rússia, disse ter sido alvo, em alguns meios políticos búlgaros, “de uma campanha histérica de difamação e calúnias”, difundida por certos meios de comunicação nacionais.

Na votação indicativa de segunda-feira, o antigo primeiro-ministro português e anterior Alto Comissário da ONU para os Refugiados (ACNUR) António Guterres continuava à frente de todos os candidatos para substituir Ban Ki-moon em janeiro.

A próxima votação, prevista para 05 de outubro, é mais importante devido à possibilidade de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança (Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China) a qualquer candidato, incluindo Guterres.

O nome do próximo secretário-geral da ONU deverá ser anunciado durante o próximo mês e a decisão do Conselho será, em seguida, ratificada pela Assembleia-geral das Nações Unidas.