A líder democrata-cristã não tem dúvidas: o caminho escolhido pelo Governo socialista, acompanhado por Bloco de Esquerda e PCP, é “errado” e vai conduzir o país ao abismo.

Em entrevista à SIC, Assunção Cristas voltou a distanciar-se em relação à estratégia seguida por António Costa, criticando a “austeridade à la esquerda” a que se entregou o Executivo socialista, desonerando a carga fiscal sobre o trabalho e apostando num aumento dos impostos indiretos. No fundo, insistiu a líder do CDS, o Governo “põe com uma mão e está a retirar com as outras duas”.

E tudo porque as contas dos socialistas saíram furadas, continuou Assunção Cristas. O crescimento económico que o Governo esperava conseguir “simplesmente não aconteceu” e “isso quer dizer que falta dinheiro”. Para a líder do CDS, e perante a falência da estratégia seguida pelo Governo, António Costa deveria “assumir, com alguma humildade, que errou” e “corrigir o tiro”.

Prova de que esta estratégia é errada, reiterou, é o “colapso do Serviço Nacional de Saúde”, que conta já com “700 milhões de euros de dívida”. Uma tendência que se estende, de resto, à dívida pública, sublinhou a líder democrata-cristã. “O Governo não tem feito outra coisa, mês após mês, senão aumentar a dívida.”

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Ainda assim, e mesmo perante todas as informações que vão dando conta de algumas dificuldades nas negociações para fechar o Orçamento do Estado para 2017, Assunção Cristas acredita que o diploma vai ser aprovado. “Não tenho dúvida alguma sobre a aprovação deste Orçamento. Parece que estamos a ver uma peça encenada. O ruído é natural”, notou a líder centrista.

Assunção Cristas reconhece, no entanto, que o partido quer ser parte ativa no debate e não vai desistir de apresentar propostas para o Orçamento. Posição diferente tem tido o PSD de Pedro Passos Coelho, que já foi avisando que não pretende dar contributos para o Orçamento do Estado. A democrata-cristã reconhece as diferenças de estratégia, mas desdramatiza. “Os nossos partidos são aliados naturais, amigos, mas cada um tem o seu caminho. Para podermos ter um futuro noivado bem-sucedido e um casamento bem-sucedido agora é bom que cada que faça o seu trabalho e possa crescer sozinho”.

E uma eventual aproximação ao PS? A líder do CDS baralha e dá de novo: os democratas-cristãos querem ocupar o espaço ao centro deixado livre pelos socialistas. “Nós achamos é que há muita gente na área do centro, da classe média, que fica perplexa perante esta radicalização à esquerda”, criticou Cristas, dando como exemplo a Educação ao serviço de “Arménio Carlos” e “Mário Nogueira” e dos Transportes nas mãos da “CGTP e do PCP”, para que possam manter “o seu espaço de manobra”.

A centrista falou, ainda, da sua candidatura a Lisboa, garantindo três coisas: as autárquicas não são, para a líder do CDS, uma forma de afirmação externa e interna; o apoio do PSD nunca foi uma condição sine qua non para avançar; e Paulo Portas sabia do desejo de Assunção Cristas. “Já há muito tempo que não nos candidatamos sozinhos em Lisboa e era importante”, resumiu a líder centrista.