“A todos os que me conseguem ouvir, estamos expostos a um genocídio na cidade sitiada de Aleppo. Este pode ser o meu último vídeo”, diz Lina Shamy, numa curta gravação publicada esta segunda-feira na rede social Twitter. Lina, que na sua conta de Twitter diz pertencer à “grande revolução síria”, é uma das vozes que se fez ouvir nas últimas horas, na sequência de relatos que dão conta da morte de 82 civis e de mais de 100 crianças encurraladas por bombardeamento.

Esta segunda-feira vários residentes em Aleppo publicaram vídeos e mensagens de despedida nas redes sociais, dando conta do avanço das forças do governo sobre os últimos bairros de Aleppo controlados pelos rebeldes. Há relatos de massacres e de execuções casa a casa, pelo que muitos decidiram registar o que consideraram ser as suas horas finais.

“Mensagem final: estou muito triste que ninguém neste mundo nos ajude, ninguém vai evacuar a mim ou à minha filha. Adeus”, escreveu Fatemah, mãe de uma menina de sete anos. “A última mensagem. Obrigada por tudo. Partilhámos muitos momentos. Os últimos tweets foram de um pai emocionado”, lê-se ainda na conta de um professor e ativista a viver na cidade, que assina como Mr. Alhamdo.

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Mr. Alhamdo publicou ainda alguns vídeos através da aplicação Periscope, num dos quais está visivelmente emocionado, sem saber o que dizer. “As milícias de Assad estão talvez a 300 quilómetros de distância. Agora, já não temos para onde ir”.

Os testemunhos dramáticos não se ficam por aqui e adotam, na grande maioria, o mesmo formato, sendo que as despedidas sucedem-se aos agradecimentos.

Esta terça-feira, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) juntou-se para uma reunião de emergência em resposta aos relatos de atrocidades na cidade síria. Do encontro resultou o cessar-fogo, com a promessa de que civis e combatentes serão retirados da zona controlada pelos rebeldes nas próximas horas.