O abacate é a fruta da moda. E esta fruta está tão in que até a máfia mexicana tenta fazer negócio dela. Venha viajar connosco até 1997 e perceber o porquê desta “abacatomania”, como lhe chama o El Mundo.

abacate

De desconhecido até ao ‘ouro verde’

Tudo começou quando o Congresso nos Estados Unidos da América levantou um embargo feito ao México que durava há já 83 anos e que limitava a importação de alimentos vindos da América Latina. Com esta decisão, a gastronomia latina registou uma expansão que não só aumentou o seu consumo como também a popularidade dos seus ingredientes. E, logo aí, o “ouro verde” chegou ao auge.

Rico em gorduras saudáveis e vitaminas, com benefícios para a pele e para o cabelo, o abacate tornou-se o super alimento e um produto com utilidade também na cosmética.

Oil will be extracted from avocados like these to be used in cos

Nesta imagem vemos abacates que irão ser utilizados para fins cosméticos. O seu óleo será extraído para indústrias de cosmética que depois exportam os seus produtos.

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O crime: Ser o rei do abacate

A área do México mais afetada é o Michoacan, um dos maiores locais de plantação do país. Nesta região, a onda de crime tem aumentado, e todos querem ser o ‘rei dos abacates’, conta o El Mundo. Muitas vezes, os agricultores são pagos pela máfia para agirem fora da lei: escondem-se para roubar o fruto e chegam até a causar incêndios para poderem depois replantar a fruta. O “Cártel de Los Caballeros Templarios” domina o negócio.

Também na Nova Zelândia, outro grande produtor de abacate, se tem verificado um aumento significativo da criminalidade. Em 2016 foram documentados mais de 40 assaltos às plantações do fruto. Também nos supermercados se fazem avisos aos ladrões que não só roubam dinheiro… como também o ‘delicioso fruto’, explica o El Mundo.

Num artigo recente, a revista Visão explica que, para os amantes de fruta e, ao mesmo tempo, para os amigos do ambiente, está já a ser criado um selo que irá certificar que dado fruto não foi plantado num pomar que compromete o meio ambiente e, claro, a saúde pública.

A popularidade do fruto traz consigo uma grande ameaça ao meio ambiente. O abacate exige muita, muita água para crescer: para produzir um quilo são necessários cerca de 242 litros de água. No México, por exemplo, 1.000 hectares de floresta são dedicados à produção do abacate.

Mas além da desflorestação excessiva para que seja possível a produção do abacate, bem como os litros e litros de água necessários para que o fruto não passe ‘sede’, novos problemas surgem: os químicos e seus efeitos na saúde. Segundo conta a Visão, os químicos agrícolas estão a contaminar não só os solos como os próprios lençóis de água, o que, por sua vez, põe em risco a água dos lagos e da própria rede de distribuição para as populações. Isto, claro, coloca em risco a saúde pública.

Segundo o especialista ambiental Alberto Gomez Tagle, a população que depende das águas do rio pode já estar a sofrer efeitos dos químicos lá depositados. Estes químicos não eram comuns até a produção do abacate se expandir em larga escala, usando todo o tipo de pesticidas.

abacatees

Letreiro de aviso em Uayma, México.

O novo bem de luxo… mas não em Portugal

A procura pelo ‘ouro verde’ tem sido tanta que o fruto é já considerado um bem de luxo, em vários países. Nos Estados Unidos, o preço do produto subiu cerca de um dólar (por fruto), desde o ano passado. Em Espanha, por exemplo, pode-se pagar cerca de dois euros por apenas um abacate e a produção não chega para satisfazer a procura. A nível global, o abacate tem registado um crescimento de cerca de 3% por ano. Em Portugal, no entanto, o abacate ainda não é moda.

Em Portugal produz-se abacate, ainda que o fruto seja exótico e típico da América do Sul. A país produz aproximadamente 2.900 toneladas do fruto numa extensão de 320 hectares de cultivo, sendo que o Algarve é a maior zona de produção do país, com cerca de 230 hectares e uma produção máxima de 1900 toneladas. A segunda maior região é a Madeira.

Se compararmos com Espanha, percebemos o quão pequena é a nossa produção. Nos primeiros nove meses de 2016, conta o El Mundo, a importação do fruto chegou quase às 73.500 toneladas.