Diogo Lacerda de Machado nega ter sido convidado para chairman (presidente não executivo) da TAP. O jornal Eco noticiou esta sexta-feira que o advogado deverá ser indicado pelo Governo para esse cargo, mas, contactado pelo Observador, Lacerda Machado negou: “Estou em Bissau, não sei nada do que está a falar. Não sei nada disso. Não fui convidado”.

O Ministério do Planeamento e Infraestruturas, que tem a tutela da companhia, também não confirma a indicação e, em resposta ao Observador, refere mesmo que se trata de “uma especulação desinformada”.

Segundo o Jornal Eco, o Governo deverá indicar o advogado, que tem participado em várias negociações com privados em nome do Executivo, para chairman da TAP, nos termos do acordo assinado em maio de 2015 entre o Estado e os acionistas privados da companhia.

Lacerda Machado foi a quem António Costa confiou o processo de “renacionalização” da TAP. O amigo e conselheiro do primeiro-ministro foi o intermediário num processo negocial entre o Governo e o consórcio privado Gateway que redesenhou os termos da privatização da TAP, concretizada pelo Executivo do PSD/CDS em cima das eleições legislativas de 2015. Desde então, Lacerda de Machado participou na negociação de uma solução para os lesados do BES/GES, anunciada no final do ano passado por António Costa. O gabinete do primeiro-ministro acabou por fechar um contrato de prestação de serviços com o advogado e esse contrato foi agora renovado por mais seis meses.

O Estado terá o direito de nomear o presidente não executivo (chairman) da TAP, assim que voltar a ser o maior acionista da companhia, nos termos do memorando assinado no ano passado com os acionistas privados David Neeleman e Humberto Pedrosa. Mas a indicação para este cargo só irá avançar quando for concretizada a operação pela qual o Estado irá recomprar capital que lhe permita ter 50% da TAP. Atualmente tem 39%. Para já, ninguém confirma que o indicado será Lacerda Machado.

Esta operação, cuja realização ainda depende da renegociação da dívida bancária da transportadora, deverá acontecer ao mesmo tempo que a oferta pública de 5% do capital da TAP, reservada aos trabalhadores, o que ainda deverá demorar algum tempo a pôr em marcha.

Lacerda Machado já tinha estado envolvido com a TAP num negócio especialmente polémico que envolveu a compra da VEM, a empresa de manutenção da antiga Varig. A aquisição foi feita em parceria com a Geocapital de Stanley Ho que depois saiu, deixando a transportadora portuguesa a assumir sozinha os prejuízos da empresa brasileira.

Quando foi chamado no ano passado ao Parlamento para explicar o seu envolvimento em negócios do Estado e em negociações em que representa o Governo, Lacerda Machado defendeu ainda as vantagens desta operação.