Ainda recentemente lhe dissémos que a Efacec tinha produzido os primeiros supercarregadores capazes de fornecer energia eléctrica a 350 kW. Hoje podemos confirmar que as primeiras unidades destes potentes equipamentos construídos em Portugal tiveram como destino um cliente de grande reputação no mundo automóvel: a Porsche.

Como então afirmámos, os supercarregadores de 350 kW destinam-se a alimentar as baterias não dos automóveis eléctricos de hoje, mas dos carros de amanhã, com baterias de diferentes características. Ainda de iões de lítio, mas com uma tecnologia mais sofisticada e dispendiosa, que as compatibilize com cargas ultra rápidas, através de carregadores muito mais potentes. Pois bem, o Porsche Mission E foi o primeiro felizardo a utilizar essa tecnologia desenvolvida pelos técnicos portugueses da Efacec, pois a Porsche adquiriu os primeiros dois carregadores de 350 kW construídos pela empresa nacional, que têm sido utilizados nos vários protótipos que o construtor tem em fase de testes.

O ultracarregador HV350

O Mission E é, essencialmente, um Panamera 100% eléctrico, com espaço para quatro adultos e volume para alojar bagagens à frente e atrás. Mas é sob a sua carroçaria que se escondem as principais diferenças para com os restantes modelos da casa com motor de combustão, com a marca alemã do Grupo Volkswagen a recorrer a uma solução próxima da utilizada pelo Model S, uma vez que, na realidade, aqui não há nada para inventar e a solução ideal passa mesmo por colocar as baterias em baixo, ao centro, e os motores directamente alinhados com os eixos, anterior e posterior.

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O protótipo Mission E surgiu no Salão Automóvel de Frankfurt de 2015, então com motores à frente e atrás totalizando 592 cv. Mas não perca já tempo a comparar esta potência com as dos diferentes Model S, pois nisto dos carros eléctricos obter mais potência é relativamente simples e muito pouco dispendioso. O fundamental é existirem a bordo baterias para alimentar esses motores mais potentes e, ainda assim, assegurar uma autonomia respeitável. E é aqui que entra a principal vantagem do primeiro veículo eléctrico deste fabricante: a bateria e o sistema que faz tudo funcionar trabalha a uma tensão de 800 V, nada menos do que o dobro dos habituais 400 V.

Com uma autonomia superior a 500 km e uma velocidade máxima de 250 km/h, o Mission E com o actual nível de potência vai ser capaz de passar pelos 100 km/h ao fim de apenas 3,5 segundos, para depois fazer o mesmo com os 200 km/h ao fim de mais 5,5 segundos. Parece-lhe pouco? Não se preocupe que as variantes S, RS e RSR da Porsche, tão habituais nas versões a gasolina, deverão igualmente ser propostas na gama eléctrica.

Mas onde o Mission E está decidido a brilhar é no capítulo da rapidez da recarga e começa logo a exigir supercarregadores com potências superiores a 150 kW. Serão estes a conseguir garantir 80% da carga em apenas 15 minutos, o que é menos do que necessitamos para tomar um café, contando que não haja fila para pagar na caixa. Se esta rapidez de recarga é impressionante, agora imagine o que o Mission E é capaz de fazer com os supercarregadores da Efacec, de 350 kW. É garantido que bateria fica cheia e pronta para mais 500 km numa questão de minutos. E muito poucos.

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A Porsche já afirmou que a versão de série do Mission E está à venda em 2020 e que espera vender 20.000 unidades por ano, numa primeira fase, ou seja, menos do que atinge hoje com o 911, Boxster ou Cayman, ou até mesmo com os SUV Cayenne e Macan. Mas sempre representa quase 10% dos mais de 230.000 veículos que comercializa anualmente. Contudo, quando comparados com os mais de 84.000 Model S e X que a Tesla hoje produz, não nos parece que o objectivo seja particularmente optimista.