No final, um final épico — e para o qual escasseiam ainda os adjetivos para além deste –, lágrimas de um lado e de outro, dos jogadores do Paris Saint-Germain no relvado e dos adeptos do Barcelona nas bancadas. Não, o caso não foi para menos.

Quinze dias antes, e para surpresa de muitos, os catalães foram vergados em Paris por quatro golos sem resposta. E até poderiam ter sido mais a favor do PSG. A eliminatória, acontecesse o que acontecesse, estava mais do que no bolso para os de Unai Emery. Ainda assim, pedia-se em Espanha uma “remontada”, como por lá se lhe chama, uma goleada das antigas para responder a outra. O Barça precisaria de cinco golos — e de não sofrer nenhum, claro — para virar o jogo.

OK, é o Barça de Messi, Neymar ou Luis Suárez, para quem cinco golos (num dia ou noite “sim”) é só mais um passeio no parque. O problema é que do outro lado havia Cavani, Draxler, Verratti e outra rapaziada mais que não é má de pés, não senhor.

Estranhamente ou não, o PSG subiu ao relvado de Camp Nou encolhido — não que a tática de Emery fosse tão defensiva assim; mas a atitude dos jogadores era-o. E cedo, bem cedo, logo aos três minutos, Suárez colocou o Barça a vencer. Os catalães insistiam, voltavam a insistir, mas tardava a surgir o segundo golo. E não vindo dos da casa, viria de um dos visitantes: Layvin Kurzawa. O lateral fez auto-golo e o Barça só precisaria de mais dois após o intervalo para empatar a contenda. O prolongamento era o menor dos males para quem passou as passas dos algarves em Paris.

Aos 50′, Messi, de grande penalidade, fez o 3-0. Estava quuuase lá o Barça. Faltou o quase. E Cavani, pouco depois, aos 62′, fez o 3-1 para o PSG e silenciou as bancadas. Não faltava só um golo ao Barça; faltavam agora três e só havia meia-hora, pouco menos, para se jogar até final.

As bancadas silenciaram-se, sim. Por pouco tempo. É que o Barcelona continuava a controlar o jogo (tinha 71% de posse de bola quando Deniz Aytekin apitou para o final) e o PSG, tal como no começo, numa se desencostou das cordas. O final do jogo foi de loucos, portanto. Literalmente “o final”. Neymar, a dois minutos dos noventa, chegou ao 4-1 de livre. Aos noventa propriamente ditos, o 5-1 veio do mesmo pé direito, mas de grande penalidade. Aguenta coração!

Última tentativa. Livre à direita do ataque do Barça. Sobe toda a gente para a área, até o guarda-redes Marc-André ter Stegen. Mas a defesa do PSG cortaria a bola. Fim de história? Nem por sombras. A defesa do PSG cortou, sim, mas esqueceu-se de subir, a bola é cruzada segunda vez para a área, Sergi Roberto surge nas costas de Aurier e desvia a bola de Trapp.

Elogie-se Francesc Mitjans. Quem? O arquiteto que projetou o Camp Nou. É que o estádio só não veio abaixo de tanta euforia porque não calhou.