As autoridades espanholas detiveram esta quarta-feira de manhã Ignacio González, antigo presidente do governo regional de Madrid, por suspeitas de envolvimento numa rede de crime organizado, responsável por desvio de fundos públicos, prevaricação, corrupção e fraude e branqueamento de capitais.

De acordo com o jornal El Español, Ignacio González está a ser investigado depois de ter autorizado, enquanto presidente do governo regional de Madrid, adjudicações de contratos públicos alegadamente fraudulentas, pelas quais exigia comissões ilegais. O madrileno teria depois um esquema de lavagem de dinheiro, através de operações e investimentos muito complexos onde participariam muitos dos seus familiares.

De resto, entre os suspeitos, está também o irmão de Ignacio, Paulo González, um dos responsáveis pela alegada rede de branqueamento de capitais ao serviço do ex-presidente do governo regional de Madrid.

A principal linha de investigação, continua o mesmo jornal, prende-se com a gestão da empresa pública de abastecimento de água na região de Madrid — a Canal de Isabel II — que serviria de veículo para a celebração de contratos fraudulentos, que lesaram os cofres da capital espanhola em muitas dezenas de milhões de euros.

Esta operação envolve ainda suspeitas de cobrança de luvas em troca da atribuição de contratos para obras públicas — dinheiro esse que serviria também para financiar o próprio Partido Popular (PP) madrileno. Ignacio Gonzáez, enquanto secretário-geral do PP de Madrid, terá usado essas luvas para financiar a atividade do partido, num esquema que envolvia várias pessoas afetas ao partido e empresários da construção civil. Segundo o El País, durante esta quarta-feira são esperadas ainda dezenas de detenções no âmbito da mesma operação.

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