“Voto branco ou nulo”; “Voto Emmanuel Macron”; “Abstenho-me “. E as opções ficam-se por aqui. C‘est fini. Jean-Luc Mélenchon, o candidato de esquerda apoiado pelos comunistas que ficou em quarto lugar na primeira volta das eleições em França (19,6% dos votos), prometeu lançar uma consulta junto dos seus apoiantes para saber em quem votarãodia 7 de maio. Mas o documento disponibilizado esta quarta-feira não apresenta a opção de Marine Le Pen.

A decisão de excluir a candidata de extrema-direita é explicada no próprio documento: “Como todos sabem, o movimento França Insubmissa está, por definição, ligado aos princípios republicanos da Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

O jornal Le Figaro escreve que esta opção pode levantar uma questão democrática, na medida em que, de acordo com as últimas sondagens feitas pela Opinion para o jornal Les Echos, 17% dos apoiantes de Mélenchon escolheriam Le Pen na segunda volta que se vai realizar a 7 de maio.

A consulta estará acessível apenas para os apoiantes da França Insubmissa registados até domingo às 22h00 e vai prolongar-se até ao dia 2 de maio às 12h00 (11h00 de Portugal).

No domingo, depois de se saberem os resultados da primeira volta, o líder do movimento França Insubmissa escusou-se a dizer quem iria apoiar numa segunda volta, deixando críticas tanto a Macron (que alcançou 23,9% dos votos) como a Le Pen (21,4%).

E esta quarta-feira, em conferência de imprensa, Jean-Luc Mélenchon voltou a repetir que não dirá em quem vai votar, independentemente do resultado da consulta pública.

Novo cartaz de Le Pen mostra semelhanças com programa de Mélenchon

Mas se Mélenchon exclui Le Pen do documento da consulta pública, justificando-o com o facto de esta não se enquadrar nos princípios republicanos, a candidata de extrema-direita lançou, na terça-feira, um novo cartaz em que destaca vários pontos em comum com o programa do candidato de esquerda apoiado pelos comunistas, de maneira a seduzir apoiantes do movimento França Insubmissa e também apoiantes do conservador François Fillon, para a segunda volta das Presidenciais.

Com o nome “O futuro em comum é também com Marine”, a candidata Marine Le Pen, que entretanto já anunciou a sua saída temporária da liderança da Frente Nacional, sublinha que ambos defendem, por exemplo, a saída dos tratados europeus, da NATO e de Schengen, apoiando um protecionismo — “solidário” no caso de Mélenchon e “inteligente” no caso de Le Pen –, a igualdade salarial entre homens e mulheres; a majoração do pagamento das horas extraordinárias e o aumento das pensões mais baixas.

Esta quarta-feira, o ex-presidente francês, Nicolas Sarkozy anunciou que prefere o centrista Emmanuel Macron, à candidata da extrema-direita Marine Le Pen.