Os ministros de comércio da região da Ásia-Pacífico, reunidos este domingo no Vietname, comprometeram-se a avançar com o pacto de comércio da Parceria Transpacífico (TPP), apesar de os EUA terem reafirmado a decisão de abandonarem o acordo.

O ministro do Comércio da Nova Zelândia, Todd McClay, disse que os outros 11 países do TPP estão abertos à entrada de outros países, desde que aceitem os altos padrões de trabalho e proteção ambiental do acordo comercial.

McClay disse que a porta continua aberta aos EUA, mesmo depois de o presidente Donald Trump se ter retirado do pacto em janeiro, argumentado que prefere os acordos bilaterais de livre comércio.

“É claro que cada país tem que considerar os valores económicos e a importância estratégica deste acordo, mas no final há muita unidade entre todos os países e um grande desejo de trabalhar em conjunto para chegar a um acordo entre os 11, (…) que está aberto a outros países do mundo, desde que cumpram os elevados padrões no acordo TPP “, disse McClay aos jornalistas.

Desde a retirada dos EUA, o Japão e a Nova Zelândia têm liderado os esforços para reanimar o acordo.

Na sua forma atual, o TPP exige a participação dos EUA para que possa entrar em vigor, o que significa que os restantes países terão de mudar as regras para que o acordo prossiga, embora o impacto deste seja significativamente menor sem o envolvimento da maior economia do mundo.

Os 11 países representam aproximadamente 13,5% da economia global, de acordo com o Banco Mundial.

Numa declaração, os ministros de comércio disseram que concordaram em lançar um processo de avaliação das opções para que o acordo entre em vigor “com rapidez, incluindo como facilitar a adesão aos signatários originais”.

Os ministros solicitaram aos respetivos serviços técnicos que apresentem uma avaliação do acordo quando os líderes se encontrarem em novembro, no Vietname, para a cimeira anual da cooperação económica da Ásia-Pacífico, que contará com as presenças de Trump, do presidente russo Vladimir Putin e do presidente chinês Xi Jinping.

Defenderam também que os esforços para que o TPP se expanda a outras economias permitirão minimizar o protecionismo, contribuir para manter mercados abertos, fortalecer o sistema de comércio internacional baseado em regras, aumentar o comércio mundial e elevar os padrões de vida.

O TPP foi defendido pelo ex-presidente dos EUA Barack Obama e foi visto como um contrapeso à crescente influência da China na região.

O representante do Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, que assumiu o cargo há uma semana, defendeu na reunião a decisão de Trump de sair da TPP, salientando que os EUA não vão voltar atrás.

“O presidente tomou a decisão, com a qual eu certamente concordo, de que a negociação bilateral é melhor para os Estados Unidos do que as negociações multilaterais”, disse aos jornalistas, acrescentando acreditar que “em algum momento haverá uma série de acordos bilaterais com parceiros disponíveis nesta parte do mundo”.

Na segunda-feira, os 16 membros da Parceria Económica Regional, liderada pela China, vão reunir-se em Hanói para discutir um acordo que é visto como uma alternativa ao TPP, que deverá estar finalizado até ao final deste ano.