Rádio Observador

Lifestyle

Do liceu aos churrascos no hostel

224

Depois de chegar a Sines como professor de artes, deixou o ensino e abriu um hostel onde pode reunir as tropas de verão que ali vão para renovar amizades.

PEPE BRIX

Pepe Brix, fotógrafo documental português, é o autor deste artigo, primeiro da história “Este Verão Portugal é Mini”

Sines é uma das grandes portas portuguesas para o mar. Um porto que abriga ora os que vêm de longe em gigantescos navios ou ao sabor do vento, ora aqueles que por terra chegam para explorar as potencialidades do grande oceano. O cenário pitoresco das ruas que ladeiam o castelo, as praias de água límpida e de fácil acesso, e uma atmosfera cultural no mínimo inspiradora fazem da cidade um dos grandes pontos de concentração das rotas de verão. Ao caminhar pelas ruas a sensação que tenho é que tudo se mantém autêntico, pequeno no sentido mais brilhante da palavra, e que um bom dia corre de boca em boca para encher a cidade de pequenos sorrisos pela manhã. É nesse espírito delicioso que Pedro vai ao mercado para comprar tudo o que precisa para mais um churrasco.

Mudar para expandir

Não foi aqui que Pedro nasceu ou cresceu sequer, mas a cidade chamou-o a determinada altura, cativando-o e inspirando-o a que ali assentasse arraiais. O Centro de Artes de Sines, uma das referências arquitetónicas da cidade, ajuda a projetar a sede de expressão criativa que o povo tem em si e que confere à cidade uma dinâmica particular. Foi como professor de artes que Pedro começou a ganhar raízes em Sines. Durante anos lecionou na escola de artes, até que um dia a vontade de que alguma coisa mudasse na sua vida e o desejo de abrir portas a novas pessoas o levou a deixar temporariamente o ensino e a abrir um hostel no coração da cidade. Motivado por uma sede de se manter ligado ao que é realmente importante, consciente de que é uns com os outros que aprendemos e crescemos verdadeiramente, Pedro cumpriu o sonho e abre, sempre que pode, a porta dessa casa para dar abrigo às mais profundas amizades.

Às tropas de verão

Naquela sala com varanda e vista privilegiada para a Praia Vasco da Gama, há amizades que todos os verões se renovam. Enquanto se ateia o carvão e se sorri aos reencontros e às novas amizades, ninguém consegue ficar indiferente à magnífica vista do hostel e vão enchendo os olhos e o coração enquanto a praia vai mudando as suas cores até que reine a noite por fim. Lá dentro há uma mesa posta para celebrar o calor e a única coisa proibida é a cerimónia. Todos partilham uma história aqui e ali, enquanto brindam às novas ambições, aos novos projetos e a todos os momentos partilhados até então. Não tardará com certeza até que a tropa se reúna novamente, mas hoje todos se entregam ao serão como se não houvesse amanhã.

A música que chegou do mar

E enquanto na varanda do hostel a carne alourava no grelhador e se punha a mesa, o fumo que daí se levantava servia de azimute para os que o avistavam de longe. Acabados de chegar de veleiro à marina da cidade e depois de estarem dias no mar alto, quatro amigos sedentos de festa, felizes por estarem de novo em terra firme, não resistiram ao movimento que assaltava a varanda do hostel e saltaram do veleiro para o pequeno bote de apoio com os seus instrumentos às costas, para fazerem rumo ao pontão mais próximo e se juntarem ao churrasco. Verdade seja dita, qualquer festa ganha novo sabor quando a música está a nascer diante dos olhos daqueles que a constroem. O acordeão e o violão faziam cama às vozes que soavam e ninguém ficava indiferente a essa harmonia recém-instalada por força do destino, a reunião inesperada de mais quatro amigos.

Este Verão Portugal é Mini

Serra d’Arga: um roteiro para escalar a sua nobreza

Quando o Verão dá à costa

Descendo os caminhos ancestrais da ilha

Rua, a galeria a céu aberto

No esplendor do Zêzere

Livres como pássaros

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Conteúdo produzido pelo Observador Lab. Para saber mais, clique aqui.
Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: obslab@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)