Jared Kushner, o genro de Donald Trump que é também um importante conselheiro da Casa Branca, fez um negócio imobiliário multimilionário com um oligarca que nasceu na antiga União Soviética e que foi investigado por suspeitas de branqueamento de capitais.

A história é contada pelo jornal britânico The Guardian que investigou uma série de ligações e relações que juntam negócios imobiliários em Nova Iorque, membros do círculo próximo de Trump e alegadas operações de lavagem de dinheiro com origem russa. Uma das operações é a aquisição realizada em 2015 de uma parte de um edifício antigo em Manhattan que envolve Kushner e o bilionário do imobiliário e dos diamantes, Lev Leviev.

O marido de Ivanka Trump esteve esta segunda-feira a prestar esclarecimentos no senado sobre as suspeitas de cumplicidade entre Donald Trump, o seu staff, e interesses russos.

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Os laços entre a família de Trump, ele próprio um magnata do imobiliário, e os interesses financeiros russos estão a atrair atenção crescente do conselheiro especial do Departamento de Justiça. Robert Mueller tem a missão de determinar se a campanha de Donald Trump colaborou com os russos para influenciar os resultados das eleições presidenciais de 2016. Mueller terá estendido a sua investigação aos negócios imobiliários promovidos pela Trump Organization, bem com os financiamentos a Kushner.

Também conhecido como o rei dos diamantes, Leviev foi parceiro de negócios da empresa detida por russos, Prevezon Holdings, que esteve no centro de um processo aberto em Nova Iorque. Leviev é de origem uzbeque e israelita e já foi considerado um confidente próximo de Putin.

Num processo comandado pelo procurador Preet Bhara, que foi dispensado por Donald Trump em março, os procuradores investigaram a Prevezon por alegadamente tentar usar transações imobiliárias em Manhattan para branquear dinheiro roubado do Tesouro russo. O esquema foi revelado por Sergei Magnitsky, um contabilista que morreu em 2009 numa prisão de Moscovo em circunstâncias suspeitas.

O The Guardian recorda que as sanções impostas pelos americanos à Rússia após esta morte forem um dos temas de um encontro realizado na Trump Tower em junho último onde estiveram Jared Kushner, o filho mais velho de Donald Trump, o diretor de campanha de Trump e um advogado russo com ligações ao Kremlin.

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O caso Prevezon foi resolvido fora dos tribunais, dois antes de se iniciar o julgamento em maio deste ano com o pagamento de seis milhões de dólares por parte da empresa, mas sem admissão de culpa. No entanto, desde que foram conhecidos detalhes da conversa suspeita na Trump Tower, este súbito acordo tem estado sob escrutínio por parte de investigadores do congresso americano.