O Presidente da República pede “serenidade” e “cabeça fria” aos responsáveis políticos no debate sobre as consequências dos incêndios de Pedrógão Grande. Em entrevista ao Diário de Notícias, Marcelo Rebelo de Sousa diz que não lhe “passa pela cabeça que, quem quer que seja, a pretexto de desdramatizar, possa minimizar o apuramento cabal dos factos e das responsabilidades”. Um recado ao Governo, outro à oposição. Marcelo também não aceita que fique a pairar a sensação de que se “maximiza e se lida com uma tragédia que pode correr o risco de ser considerada desrespeitosa para as próprias vítimas e para os familiares”.

A pouco mais de dois meses das eleições autárquicas, a temperatura no palco político só pode subir. O Presidente da República reconhece que, “em democracia, há debate político, há período pré-eleitoral, estamos a dois meses das eleições autárquicas”. Mas é preciso “serenidade” porque, sublinha, “em democracia, não há desaparecimento de vítimas, não há, como se contava de algumas ditaduras estrangeiras, aviões a lançar corpos no mar. Isso não existe”.

E insiste na ideia. “Ou está vivo ou está morto, não pode haver uma terceira qualificação”, diz, referindo-se à polémica dos últimos dias, quando ganhou força a tese de que poderia haver várias vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos fora das estatísticas oficias. É, por isso, insiste o Presidente da República, que não pode ficar a sensação de que, “por razões políticas, se minimiza o que não deve ser minimizado”. Mas, pelas mesmas razões, não pode ficar a ideia que se “maximiza e se lida com uma tragédia que pode correr o risco de ser considerada desrespeitosa para as próprias vítimas e para os familiares”.

Depois de o Ministério Público ter decidido divulgar a lista oficial de vítimas mortais — as 64 de que já se falava — e de reconhecer que há mais dois inquéritos abertos para investigar mais mortes, Marcelo defende na entrevista ao DN que “é preciso apurar tudo cabalmente”. O chefe de Estado defende “um apuramento total, até onde for possível esse apuramento, por um lado pelo Ministério Público e por outro lado pela comissão independente”. E deixa ideias sobre o caminho que poderá ser percorrido pela investigação judicial: “Aquele ato foi criminoso ou não? Há um problema de qualificação jurídica. Agora, ou está vivo ou está morto. Quando muito pode estar desaparecido e a família diz que está desaparecido. Vamos apurar onde é que está.”