O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, foi afastado do poder por envolvimento num escândalo de corrupção ligado ao caso dos Panama Papers e propôs o nome do seu irmão mais novo para lhe suceder no comando do país. “É uma forma de monarquia”, acusou já Imran Khan, líder da oposição.

Shahbaz Sharif ainda terá de ir a votos para a assembleia nacional, mas está lançado o nome que o até agora chefe de Governo tentará promover para garantir o controlo indireto do país. Até lá, o seu braço-direito, Shahid Khaqan Abbasi, vai assumir interinamente as funções.

Bastaram 24 horas para que Nawaz Sharif começasse a preparar o terreno da sucessão. Na sexta-feira, o primeiro-ministro demissionário conheceu a decisão do tribunal, que o obriga a abdicar do lugar na chefia do Governo. E, de imediato, reagiu.

Num discurso transmitido na televisão, Sharif disse estar a ser alvo de um afastamento baseado em “alegações sem fundamento”, em que apenas ele e membros da sua família estiveram sob os holofotes da justiça. Uma sentença direcionada ao homem, considera o governante. “A minha consciência está tranquila”, garantiu, citado pelo jornal britânico The Guardin. “Nunca estive envolvido em atos de corrupção. Peço-vos que me apoiem na construção desta noção nação.”

No mesmo discurso inflamado, Sharif lançou o processo de sucessão familiar. O líder da oposição reagiu à movimentação do governante afastado:

Os partidos políticos não são democráticos. São partidos familiares… Na verdade, é uma forma de monarquia”, disse Imran Khan.

Para poder chegar ao lugar agora deixado em vazio pelo irmão, Nawaz terá de abdicar da sua posição enquanto governante do estado de Punjab, onde está desde 2013. Depois disso, é necessário que consiga ser eleito para a assembleia nacional para que, então sim, possa assumir a chefia do Governo. É, no entanto, certo que o partido dos irmãos Sharif dispõe de uma confortável maioria na assembleia nacional, facto que dá algumas garantias a Nawaz de que o seu plano poderá ser concretizado e de que o poder está assegurado até às eleições gerais de junho do próximo ano.

O até agora primeiro-ministro paquistanês foi afastado devido às revelações feitas no âmbito do Panama Papers. Entre os muitos milhões de documentos tornados públicos constavam registos de que três dos filhos de Nawaz Sharif detinham empresas e bens sedeados em paraísos fiscais.