O primeiro-ministro, António Costa, considerou “absolutamente lamentável que se tenha quebrado um consenso nacional que sempre existiu” de não haver aproveitamento político de tragédias como as dos incêndios.

Em declarações esta segunda-feira aos jornalistas à margem da apresentação do candidato socialista à Câmara de Sesimbra, António Costa escusou-se a comentar as críticas do líder do PSD sobre a atuação do Estado no combate aos incêndios, durante o comício do Pontal.

Mas acrescentou: “Acho absolutamente lamentável que se tenha quebrado um consenso nacional que sempre existiu, que perante tragédias desta natureza não haja aproveitamentos políticos”, condenou.

Na opinião do primeiro-ministro, custa muito ver políticos “não resistirem à tentação de fazerem aproveitamento político de dramas desta natureza e perante o esforço enorme que todos os agentes de proteção civil estão a fazer para conter estas situações, em vez de lhes darem uma palavra de alento, de carinho, de ânimo, de agradecimento pelo esforço que estão a fazer, pelo contrário os virem criticar”.

Para Costa, se há algo é essencial neste momento, “em que as populações estão a sofrer esta ameaça, em que os profissionais e os voluntários que servem a proteção civil têm estado num trabalho incansável ao longo destas semanas”, dar-lhes “palavras de alento, de agradecimento e não crítica”.

No passado, contudo, foram vários os momentos em que o PS, estando na oposição, também entendeu criticar o governo da altura pela sua gestão dos incêndios florestais. Isso sucedeu nomeadamente durante os grandes fogos de 2003, altura em que o então líder socialista Ferro Rodrigues, hoje presidente da Assembleia da República, declarou ao jornal Público que “a meteorologia não explica tudo” (tinha acabado de se registar uma grande vaga de calor), considerando que as explicações dadas pelo Governo de Durão Barroso eram “claramente insuficientes”. O PS convocou então a Comissão Permanente da Assembleia da República para discutir o tema e Vieira da Silva, hoje ministro da Solidariedade Social, organizou uma reunião de autarcas socialistas dos concelhos mais atingidos pelos fogos, considerando mesmo antes desta se realizar que “quase nada correu bem”.