A Coreia do Norte deixou esta quarta-feira uma nova provocação aos Estados Unidos (EUA) e aos seus aliados no Pacífico, avisando que o lançamento de um míssil que sobrevoou o território do Japão é apenas um prelúdio de mais ações militares dirigidas a Guam, o território norte-americano no Pacífico.

Segundo a agência de notícias oficial norte-coreana, o líder Kim Jong-un presidiu ao lançamento do míssil que deixou o território japonês em alerta e obrigou o governo a recomendar às pessoas que se abrigassem em caves e edifícios seguros. O lançamento foi “o primeiro passo da operação militar sobre o Pacífico e um prelúdio significativo para conter Guam”, diz a agência de notícias. As provocações norte-coreanas na região estão a aumentar de tom, apesar de a ameaça a Guam não ser nova.

O território, onde os Estados Unidos têm uma base militar para parte das suas forças no Pacífico, já disse que não aumentou o nível de alerta e que estava à espera de um aumento na retórica norte-coreana depois dos exercícios militares dos Estados Unidos e dos seus aliados na região.

“Já sabíamos que, com base na experiência com a Coreia do Norte nos anos passados, que com um exercício conjunto entre os EUA, a Coreia do Sul e os seus aliados, podíamos esperar atividade e retórica na Coreia do Norte”, disse o conselheiro para a Segurança Nacional de Guam, George Charfauros.

Os aliados mais importantes dos Estados Unidos na Ásia, Coreia do Sul e Japão, aproveitaram esta nova provocação dos norte-coreanos para exigirem mais sanções e maior pressão sobre o regime “até ao limite, de forma a que a Coreia do Norte se sente à mesa voluntariamente para dialogar”.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou ainda no mês passado uma nova ronda de sanções contra Pyongyang, sanções essas que demoram a fazer efeito e exigem uma aplicação à risca dos países membros da comunidade internacional, que muitas vezes não o têm feito.

No último mês a China também indicou que suspendeu por completo as importações dos mais importantes produtos da Coreia do Norte, como é o caso do carvão e outros minérios. No entanto, a aplicação na prática desta suspensão é, no mínimo, dúbia, considerando a história da aplicação das sanções à Coreia do Norte pela China. Um dos exemplos mais claros é o da exportação de petróleo para Pyongyang, que é proibida mas continua a acontecer e sobre as quais a China deixou de registar nas suas estatísticas comerciais.